quinta-feira, 12 de março de 2009

Feira Espaço Mulher com balanço positivo
FOTOS: CARLOS PINHEIRO

8 No passado fim-de-semana o Ginásio da Escola Básica Integrada da Horta acolheu a Feira Espaço Mulher, iniciativa levada a cabo pela Divisão de Acção Social da Horta, e que se integrou nas comemorações do Dia da Mulher levadas a cabo em várias ilhas dos Açores pela Direcção Regional da Igualdade de Oportunidades.
Foram 12 os empresários locais ligados à moda e à estética que aceitaram o desafio, e ao longo dos dois dias deram a conhecer ao público faialense os seus produtos e serviços. Além disso foram promovidos quatro eventos: uma inovadora e original demonstração em palco pelo cabeleireiro Luís Rocha, e desfiles de moda pelas lojas Four Winds, Zimodas e Kósmos.
Cláudia Rocha, responsável pela organização, adiantou à nossa reportagem que o objectivo era realizar “uma feira voltada para a mulher, no sentido de promover a sua auto-estima, através do embelezamento”. “Preocupei-me em fazer com que fosse algo interactivo e houvesse movimento nos stands”, explica.
Lembrar a razão de ser do Dia da Mulher, e algumas faialenses que se destacaram foi também uma das preocupações de Cláudia, que preparou apresentações mostradas durante a Feira. Cláudia lembra a importância desta vertente, até para lembrar a forma como o Faial foi algo “precoce” na constatação do papel social da mulher: “no século passado existiu um jornal na Horta chamado O Feminino, editado por uma mulher; há 100 anos já existia uma equipa de basquetebol feminina no Fayal Sport...”, exemplifica.
No final, a organizadora confessou não esperar tanta afluência de público, principalmente durante os eventos. Ao fazer um balanço bastante positivo da Feira, Cláudia não esquece todos os parceiros que a tornaram possível, destacando alguns em especial: “quero agradecer a toda as pessoas anónimas que me ajudaram, sem nada em troca, bem como à Câmara do Comércio e Indústria da Horta, que foi incansável, e à Escola Básica Integrada, que cedeu as instalações”.
Na abertura do evento, a secretária regional da tutela, Ana Paula Marques, congratulou-se com as comemorações do Dia Internacional da Mulher na região, e aproveitou a efémeride para lembrar que a urgente necessidade de “ultrapassar estereótipos e estigmas de género”. A secretária entende que há que criar medidas para promover “novas oportunidades para a afirmação da mulher” e, apesar do caminho já percorrido nesse sentido, há que continuar a trabalhar na “procura de novos equilíbrios e oportunidades”, designadamente no acesso aos cargos de responsabilidade, na vida pública e ao nível profissional e económico.
Segundo Ana Paula Marques, na Região “é cada vez mais activo e afirmativo” o contributo das mulheres para o desenvolvimento económico e social das ilhas, sendo que, na última década, “duplicou o número de mulheres com actividade profissional”.A governante sublinhou ainda o papel do Executivo “na implementação de políticas e mecanismos de promoção da condição feminina”, ao encorajar “a paridade e a parceria entre homens e mulheres, tanto na esfera profissional como familiar, e a partilha de tarefas e dos papéis na esfera da vida privada e pública”.

Caminho traçado para uma repetição
Com o sucesso da feira, os empresários foram unânimes no desejo de uma repetição. Cláudia Rocha considera que “a ideia está lançada”, pronta para ser agarrada pelas entidades competentes. “A CCIH será a entidade mais certa para agarrar esta ideia e repeti-la”, opina.
Márcia Oliveira, da boutique Kósmos, mostrou-se satisfeita com os objectivos do evento: “a ideia era fazer algo mais dinâmico, de aconselhamento. Foi isso que fizemos no stand; estivemos a aconselhar a cada mulher o traje mais adequado à sua personalidade, ao seu corpo…”, explica. Esta ideia foi também o que moldou as características do desfile da Boutique Kósmos.
Rui Goulart, proprietário da sapataria Esquina, entende que “para o nosso meio uma realização deste género teve todo o sentido. Acho que a população do Faial adere a este tipo de coisas”. O empresário reconhece que a Feira fou benéfica para as empresas do ramos, que puderam expor os seus produtos e serviços, e é apologista da sua repetição.
Também a esteticista Tânia Escobar ficou satisfeita com a fila de pessoas junto ao seu stand, para experimentar massagens de rosto.
Instada a pronunciar-se sobre o cuidado que as mulheres faialenses investem em si próprias, Tânia considera que podia ser bem maior: “as mulheres faialenses podiam cuidar muito melhor de si, principalmente procurarando aconselhamento cosmético”, diz.
Hélia Decq Mota, responsável pela maquilhagem e cabelos das modelos do desfile da Zimodas, também se mostrou feliz por participar no evento: “foi muito interessante, porque pudémos dar conselhos à mulher sobre a moda e toda a sua imagem, e elas merecem”. Falando da csua longa experiência, Hélia considera que “a mulher faialense tem de gostar mais de si”. Na hora de escolher o penteado, revela que as faialenses “são muito conservadoras, embora já haja algumas que gostam de mudar o seu visual”.
Responsável pela primeira passagem de modelos de que há memória no Faial, Elzira Veríssimo, proprietária da Zimodas, é uma referência da moda no nosso meio. Quanto a este evento, considera que “todos deram o seu melhor, e deve ser repetido. Já andei por muitos sítios, já vi muita coisa, e gosto que a minha terra tenha eventos deste género, que nos dão vida”. Quanto ao desfile de Moda Jovem que promoveu, que arrancou sonoros aplausos da vasta plateia, confessou ter dado “imenso gozo”, e deixa a promessa: “volto a fazer muitos mais, desde que tenha o Guido para me ajudar, e que Deus me dê saúde para isso. É destes eventos que o Faial precisa; muitos e muitos mais”.

Situações de Violência Doméstica têm hoje mais visibilidade
Quem o diz é Cláudia Rocha, instada pela nossa reportagem a aproveitar o Dia Internacional da Mulher para falar do cenário social faialense a esse respeito.
“Exclusão e maus tratos sempre existiram, mas agora há mais visibilidade, até porque temos uma rede de apoio a situações problemáticas que antes não existia. A mulher sente-se mais apoiada para ter a iniciativa de procurar ajuda. Temos o centro de atendimento da UMAR que dá apoio jurídico e psicológico, a Casa Abrigo, que é um sítio para onde a mulher pode ir… Temos tentado utilizar os programas do governo para ajudá-las a arranjar emprego. Além disso temos o serviço de amas, que vem colmatar a necessidade que tínhamos, e agora o que será mais preponderante será o problema da habitação. Uma mulher que tem filhos a seu cargo, que recebe o ordenado mínimo, não consegue suportar uma renda de 200, 300 euros. Mas estamos a trabalhar nessa situação, e penso que temos feito um bom trabalho”, explica.
“É bom que se tenham criado respostas para esta problemática, que é transversal a toda a sociedade. A minha maior prática é com pessoas mais desfavorecidas, mas estou convencida que isto também afecta pessoas com mais meios, mas que tem mais dificuldade em denunciar, e procurar ajuda”, conclui.

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