sexta-feira, 5 de junho de 2009

Transportadora Aérea Açoriana aposta na renovação da frota e numa nova imagem

SATA traz um novo azul aos
céus do Atlântico

2009 é um ano de mudanças e de desafios para a SATA. A transportadora aérea açoriana quer crescer e ser mais competitiva, sem nunca esquecer a sua vocação atlântica nem os Açores. Para tal, a empresa assumiu uma nova imagem, e tem em curso a renovação da frota de aeronaves. Viajámos a convite da SATA a Toulouse, para o voo inaugural do novo Airbus A320 da transportadora, e para conhecer a nova imagem institucional da SATA.


O grupo SATA conta desde a passada semana com um novo avião. Trata-se de um Airbus A320, novinho em folha, que saiu da fábrica da Airbus, em Toulouse, na passada sexta-feira, dia 29 de Maio, para o seu voo inaugural com destino a Lisboa. A bordo, seguia uma comitiva constituída essencialmente por jornalistas dos Açores, da Madeira e de Portugal continental, que a SATA convidou a visitar as instalações da Airbus na cidade francesa, onde apresentou também a nova imagem da companhia.
O novo A320 tem capac
idade para cerca de 150 passageiros, e foi baptizado com o nome “Diáspora”, evocando assim a saga dos muitos açorianos que ao longo da história se aventuraram a partir além fronteiras em busca de uma vida melhor. O Diáspora junta-se assim aos dois Bombardier Q200 que já estão ao serviço da SATA, e aos quatro Q400 que deverão ser entregues pela Bombardier à transportadora açoriana no primeiro trimestre de 2010. Contas feitas, são mais de 90 milhões de euros investidos na renovação da frota. Com os seis aviões da Bombardier e o novo A320 a operar, os índices de eficiência energética da SATA serão substancialmente melhorados, assim como a idade média da frota, que passa a ser uma das mais jovens de entre todas as companhias regionais europeias, como adiantou aos jornalistas António Gomes de Menezes, presidente do conselho de Administração do Grupo SATA.
Este investimento enquadra-se num processo de renovação integral das aeronaves da SATA, que visa ser “um salto qualitativo para uma melhor performance económica e ambiental”, segundo Menezes. O presidente da SATA referiu ainda que, a nível regional, com as novas características de que a frota da transportadora se reveste, esta poderá dar uma melhor “resposta às necessidades idiossincráticas de cada ilha”.
A renovação da frota da SATA não deverá ficar por aqui, sendo possível que, nos próximos anos, a companhia substitua também os A3
10 de que actualmente dispõe, até porque a Airbus deixou de produzir este tipo de avião em 2007.
Na viagem inaugural, esteve aos comandos do Diáspora o comandante Jorge Gaspar, tendo como braço direito o comandante Flávio Biscaia. Este último, piloto da SATA há 10 anos, falou ao Tribuna antes da viagem: “é um sensação muito boa e um privilégio fazer este voo”, confessou, lembrando que a Airbus trabalha há 10 anos com a SATA. “Tenho muito orgulho em fazer parte da equipa da SATA”, referiu, “esta é a companhia mais antiga de Portugal, e acredito que vai voar por muitos e bons anos em cima do Atlântico”, disse.
O novo A320 já ostenta na pintura a nova imagem da transportadora aérea açoriana. A ideia foi, como explicou António Menezes na conferência de apresentação da nova imagem da SATA, seguir uma estratégia de poupança: uma vez que o contrato com a Airbus comporta a entrega d
o avião já pintado, a equipa responsável pela imagem trabalhou um conjunto com a produtora de aviões para que o Diáspora já ostentasse a nova pintura. Carlos Coelho, responsável pela criação da nova imagem institucional da SATA, disse que esta foi a primeira vez que um operador trabalhou directamente com a Airbus na pintura de uma aeronave, o que permitiu acelerar o processo.
Na pintura do Diáspora foi utilizada a tecnologia mais moderna do mundo na aeronáutica e na química industrial, com uma tinta mais resistente, mais durável e, o mais importante, mais leve, o que permitirá uma melhor performance da aeronave, associada essencialmente à poupança de combustível.
Os azuis continuam a ser a referência quanto à imagem da SATA, e embelezam o Diáspora em três tons diferentes. As tintas azuis utilizadas no A320 foram criadas especificamente para este projecto, e contêm micropartículas de mica.
Este A320 vem juntar-se aos outros três que a SATA já detém, e foi adquirido pela transportadora aérea em regime de leasing à ILFC, a maior cliente de Airbus.
Na cerimónia de entrega do avião, Chris Buckley, vice-presidente da Airbus, lembrou que a SATA, apesar de ser um companhia relativamente pequena, goza de excelente reputação em todo o mundo, e manifestou a vontade da empresa fabricante de aviões em continuar a fazer parte do futuro da transportadora aérea regional.
Depois da cerimónia de entrega decorreu a bênção do avião. Ao início da tarde, o Diáspora descolou de Toulouse com destino a Lisboa. À entrada do espaço aéreo português, os passageiros foram agradavelmente surpreendidos com uma escolta de dois aviões F16, da Força Aérea Portuguesa.
O Diáspora faz parte da família A320, que engloba os modelos A318, A319, A320 e A321. A família A320 é líder do mercado no seu sector, e a Airbus já entregou quase quatro mil aeronaves deste tipo a mais de 200 transportadoras diferentes.
Quanto aos Bombardier Q200, que já estão em Ponta Delgada, onde chegaram no dia 15 de Maio, irão substituir o Dornier da companhia. São mais rápidos e têm capacidade para mais passageiros (cerca de 37) e mais carga. Estes aviões irão fazer as ligações entre a Horta, as Flores e o Corvo, entre a Terceira e a Graciosa, servindo também Flores e São Jorge. Farão também as ligações entre Funchal e Porto Santo. Os Q200 deverão começar a voar no final deste mês.
Já os quatro Bombardier Dash Q400 que são aguardados no início de 2010 vêm substituir os ATP. Têm uma capacidade entre 68 e 78 passageiros, e destinam-se a rotas mais longas, ligando as ilhas de maior tráfego e possibilitando ainda ligações Açores/Madeira/Canárias, o que permite libertar os A320 da companhia para as rotas turísticas europeias.

Inovação, Fiabilidade e Simpatia
São estes os pilares onde deverá assentar a imagem de marca da transportadora aérea açoriana. António Menezes disse aos jornalistas que a SATA deverá ser sempre uma bandeira dos Açores, mas, acima de tudo, deve constituir-se como uma marca. Como tal, os objectivos para o futuro devem ser ambiciosos e bem definidos.
Actualmente a voar para cerca de 50 destinos, a SATA quer apostar ainda mais na internacionalização, e apresentar uma proposta de valor que lhe permita “bater o pé” nos mercados mais competitivos.
Com a renovação da frota, o grupo SATA pretende mais rentabilidade das suas aeronaves, mas também oferecer mais conforto aos passageiros e “voar mais verde”, ou seja, reduzir ao máximo as agressões que a sua actividade provoca no meio ambiente. A este respeito, Menezes lembrou que a partir de 2012 há que respeitar as quotas de emissão de CO2 estabelecidas pela União Europeia.
O presidente da SATA destacou também a aposta numa crescente proximidade com o cliente, alcançada com novos serviços que a tecnologia põe ao dispor da companhia: são exemplos o facto do cliente poder fazer as suas reservas pela internet ou poder saber informações do seu voo através de uma sms.
Menezes anunciou que a partir de 18 de Junho a companhia apresentará um site renovado, cada vez mais ao encontro do cliente.
A aposta na “claridade” é outra das características da estratégia da SATA, que pretende ter auditorias para aferir a qualidade da sua prestação. Menezes mostrou-se satisfeito com o actual nível de excelência da SATA, que se fixa nos 87%, mas garantiu que o objectivo é chegar aos 100%.
Também o programa para passageiros frequentes apresentará uma nova imagem, e um regulamento que visa “mimar” mais este tipo de passageiros, no qual se destaca, entre outras coisas, o facto das milhas passarem a ser vitalícias. Quanto às tarifas, Menezes referiu serem hoje “muito mais baixas e heterogéneas”, adequando-se à variedade de clientes.
O presidente do grupo SATA mostrou-se satisfeito com a lista de parceiros da empresa, que não cessa de crescer.
António Menezes lembrou que os paradigmas do mercado estão a mudar, com a competitividade despoletada pelas low-costs a aumentar. “As empresas tradicionais têm de se reinventar”, explicou.

Açores na base da nova imagem
A renovação da imagem da SATA vem dar asas a um novo açor, que irá cruzar os céus na cauda dos aviões da transportadora. Chama-se BIA (Blue Islands Açor) e é formado por nove figuras geométricas, cada uma a representar uma das ilhas dos Açores, as “nove irmãs de mar”, todas elas com um lugar próprio no conjunto que forma o açor. Trata-se, no fundo, de um símbolo da simbiose perfeita em que as nove partes formam um todo.
A nova imagem da SATA foi desenvolvida ao longo de 13 meses pela IVITY-CORP, liderada por Carlos Coelho, uma das maiores referências nacionais no que diz respeito à construção e gestão de marcas. É responsável por algumas das campanhas mais famosas em Portugal, como é o caso da Galp Pluma. Carlos Coelho já tinha sido, de resto, responsável pela anterior imagem da transportadora aérea regional.
O açor que constitui o novo símbolo da SATA faz lembrar os origamis, técnica japonesa em que simples pedaços de papel podem assumir variadíssimas formas, consoante o engenho e capacidade criativa de quem os utiliza. Trata-se de “um piloto da natureza, um pássaro do mundo, um Açor imaginado que faz voar mais alto as ambições da SATA”.
À concepção desta nova imagem não foi alheio o facto da SATA ter a sua “raiz identitária na alma açoriana”, conforme explicou Carlos Coelho, que lembrou que, mais de 60 anos após a sua criação, “a SATA é a mais importante marca comercial atlântica portuguesa”. Manter o “espírito visionário” que deu origem à criação da empresa na sua nova imagem de marca foi uma das principais preocupações da equipa responsável pelo projecto.
A nova imagem tem por objectivo reforçar o posicionamento da SATA, e por isso espelha a vocação atlântica da empresa, a proximidade que pretende ter com os seus clientes e a modernidade. Tudo isto está patente no açor BIA, acompanhado do novo slogan “The Atlantic and You” (O Atlântico e você), “tatuado” na barriga dos novos aviões. A conjugação destes elementos alia a modernidade comercial à preservação da matriz identitária da marca SATA.
O novo grafismo do nome da empresa, em minúsculas, é um sinal de humildade, que espelha a vontade que a SATA tem de se aproximar ainda mais dos clientes, como explicou Carlos Coelho. Também o próprio tipo de letra, com um aspecto quase que aerodinâmico, foi pensado para se aliar a todo o conjunto e fazer a imagem global resultar.
O impacto visual da nova imagem, colorida e com linhas modernas, permite à SATA fazer “boa figura” em qualquer aeroporto do mundo, conforme deu a entender Carlos Coelho aos jornalistas, visivelmente orgulhoso com o resultado final do seu trabalho.

Inovar para poupar
É este um dos motes para a estratégia de futuro da SATA, que de há três anos a esta parte se alia à Microsoft numa parceria que visa introduzir novas tecnologias de modo a permitir poupanças não só económicas mas também ambientais. “Fly greener” (voar mais verde), é o objectivo da transportadora aérea regional.
A descontinuidade geográfica e a necessidade de muitos documentos eram alguns dos condicionantes do grupo SATA no que toca à pegada ambiental. Nesse sentido, foi criada uma solução de software que permite reduzir consideravelmente o papel e a tinta consumidos, a quantidade de hardware necessária e inclusive o número de deslocações de funcionários da empresa.
O presidente do grupo SATA reforçou a importância deste tipo de preocupações nos dias que correm: “a evolução é um dos valores corporativos da SATA e procuramos trabalhar em três dimensões – social, ambiental e económica”, disse.
Com esta estratégia a transportadora aérea açoriana visa estar cada vez mais na linha da frente das companhias aéreas mais amigas do ambiente.
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