Direcção Regional da Cultura não aponta datas para inauguração do Museu
As preocupações da Associação dos Antigos Alunos do Liceu da Horta em relação à Casa Manuel de Arriaga mereceram reacção da directora regional da Cultura, Gabriela Canavilhas, que, em declarações à Agência Lusa, garantiu que a casa onde nasceu o primeiro Presidente da República Portuguesa estará reabilitada a tempo das comemorações do centenário do regime republicano, que se celebra já em 2010.
Recorde-se que a Associação dos Antigos Alunos havia enviado uma carta à Direcção Regional da Cultura, a pedir um ponto da situação da obra. Gabriela Canavilhas não respondeu directamente à associação, mas disse à Lusa que a reabilitação da Casa Manuel de Arriaga irá começar “o mais breve possível”. Na altura, disse que a Direcção Regional da Cultura iria receber o primeiro estudo prévio de reconstrução do imóvel a 16 de Setembro.
A Direcção Regional da Cultura, nas palavras de Paulo Raimundo, confirma que esse estudo prévio – que no fundo se trata de um programa de conteúdos – já foi entregue, tendo sido realizado pelos arquitectos Rui Pinto e Ana Robalo, responsáveis, por exemplo, pelo projecto arquitectónico do Forte de santa Catarina, nas Lajes do Pico.
De acordo com Paulo Raimundo, o ante-projecto já foi apresentado a vários responsáveis, incluindo o director do Museu da Horta, tendo a proposta sido aprovada. Neste momento, está em desenvolvimento o plano de execução.
Instado a pronunciar-se sobre o que constituirá o espólio da Casa Manuel de Arriaga, Paulo Raimundo adiantou que, apesar da Direcção Regional da Cultura já estar a diligenciar algumas medidas nesse sentido, tal será tratado apenas numa fase posterior à recuperação do edifício.
Paulo Raimundo adiantou ainda que a obra não está orçamentada, uma vez que ainda não é conhecido o seu plano de execução nem foi ainda lançado concurso público, ficando para depois desses procedimentos a divulgação do custo estimado.
Henrique Barreiros, presidente da Associação dos Antigos Alunos do Liceu da Horta, disse estar satisfeito com o eco que as preocupações levantadas pela associação mereceram junto de órgãos de comunicação sociais não apenas de âmbito local, mas também regional e mesmo nacional, e considera “muito importante” que a Direcção Regional da Cultura tenha vindo a público prestar esclarecimentos. Esclarecimentos esses que, no entanto, não sossegam os Antigos Alunos, tendo em conta que o projecto foi anunciado por Carlos César em 2005 e, quatro anos volvidos, apenas em meados do mês de Setembro foi conhecido o ante-projecto. Tendo em conta a dimensão aparente da obra e a proximidade do arranque das comemorações do centenário da República, que se iniciam já no dia 31 de Janeiro de 2010, os Antigos Alunos continuam preocupados com a possibilidade de, contrariamente ao que foi garantido pela directora regional da Cultura, a casa onde nasceu Manuel de Arriaga não esteja reabilitada a tempo de comemorar o primeiro centenário da República Portuguesa, da qual o ilustre faialense fica para a história como primeiro presidente eleito.
Declarações polémicas de Renato Leal na Matriz caíram mal ao PSD
Social-democratas apresentaram participação à Comissão Nacional de Eleições.
As polémicas declarações do cabeça-de-lista do PS à Assembleia Municipal na apresentação dos candidatos do partido à Freguesia da Matriz, na passada sexta-feira, caíram mal aos social-democratas, que apresentaram uma participação à Comissão Nacional de Eleições. Na ocasião, Renato Leal divulgou alguns dos seus métodos de campanha “pouco ortodoxos”, métodos esses que o PSD, nas palavras do presidente da Comissão Política do Faial, Luís Garcia, considera “desrespeitadores da Lei, da Ética, dos valores e da prática democráticos”. Recorde-se que Renato Leal apelou à utilização dos cadernos eleitorais para identificar os cidadãos não votantes, o que o PSD entende ser uma “utilização abusiva” dos mesmos. O candidato considerou também que o facto do sábado ser legalmente imposto como dia de reflexão, e como não ser permitido aos candidatos fazer campanha, não impede que esta efectivamente se faça, de forma mais subliminar: “depois de sexta-feira é proibido fazer campanha, mas não está escrito que seja proibido atazanar!”, foram as palavras utilizados por Renato Leal, que foram entendidas pelos social-democratas como “uma forma intolerável e grosseira de exercer pressão sobre os cidadãos” e “uma clara violação da lei”.Por estas razões, o PSD/Faial decidiu dar a conhecer à Comissão Nacional de Eleições algumas das afirmações de Renato Leal na Matriz, aguardando um parecer daquela entidade fiscalizadora. Os social-democratas desafiaram ainda o PS/Faial a demarcar-se destas declarações. “Se o não fizer, a conclusão só pode ser uma: para o PS do Faial vale mesmo tudo, incluindo infringir a lei”, entende Luís Garcia. O PSD/Faial apelou também aos faialenses para não se deixarem intimidar pelas “condenáveis práticas” que Renato Leal tornou públicas, e lembrou que o voto é secreto, e que a população deve por isso “votar livremente, segundo a sua consciência”. Nas polémicas declarações na Matriz, onde Renato Leal deu uma verdadeira aula de como fazer campanha, o candidato à Assembleia Municipal disse ainda que os candidatos devem usar os telemóveis para “ligar para as pessoas para virem votar”, ou mesmo irem “buscá-las a casa”.
PS entende que candidatos rosa se pautam por “princípios de legalidade” Em tom de resposta às críticas social-democratas, o PS emitiu ao início da tarde de ontem um comunicado onde se congratula “com a forma ordeira, cívica e democrática como todos os candidatos pelo Partido Socialista se têm posicionado” na campanha. Sem referir abertamente o PSD, os socialistas entendem que a sua candidatura gera “incomodidade” “junto de quem se ‘assusta’ com o indesmentível acolhimento que as listas do PS têm merecido”, e dizem pautar a sua actividade “pelo escrupuloso respeito dos princípios de boa-fé, da transparência e da legalidade, na certeza que tal caminho é essencial para afirmar, cada vez mais, as virtualidades da democracia que o PS ajudou fortemente a restaurar há 35 anos e que alguns teimam em desvirtuar”. Nesse sentido, os socialistas rejeitam “qualquer interpretação abusiva que leve a inferir de declarações e atitudes dos candidatos do PS às eleições para os órgãos das autarquias locais do próximo dia 11 de Outubro a existência de pressões, ameaças ou outras formas de condicionamento da opção livre do eleitorado”.
PS vence as eleições, mas perde mais de meio milhão de votos e a maioria absoluta
A noite eleitoral de domingo deu a vitória ao PS, com 36,56% dos votos. José Sócrates conseguiu assim a ambicionada reeleição, situação pouco comum na tradição política do país, no entanto esperam-no tempos difíceis, já que perdeu a maioria absoluta na Assembleia da República e terá por isso de procurar hipóteses de coligação, ou então enfrentar uma governação conturbada, em tempos que se prevêem difíceis tendo em conta a situação económica do país e do mundo. O PS perdeu 24 deputados em relação a 2004, ficando-se agora pelos 96.
Os social-democratas ficaram-se pelos 29,09% dos votos, com um ténue aumento em relação às últimas legislativas, que no entanto não foi suficiente para derrotar os socialistas. Manuela Ferreira Leite sofre assim uma dura derrota enquanto líder do PSD, depois de em Junho o partido ter vencido as europeias em Portugal. Apesar da derrota, a facção laranja do parlamento ganhou mais seis lugares, ficando agora com 48 deputados.
Em termos de crescimento do número de votos, os grandes vencedores das eleições foram os partidos mais pequenos, com o CDS de Paulo Portas a chegar triunfantemente aos dois dígitos, com 10,46% dos votos, passando de 12 a 21 deputados. Também o Bloco de Esquerda assistiu a um grande crescimento, conseguindo 16 deputados, o dobro de em 2005. Os comunistas foram os que menos cresceram, mas mesmo assim conseguiram mais um deputado que em 2005, detendo agora 15.
No país a abstenção diminuiu em cerca de 5%, apesar de mais de metade do eleitorado continuar a não ir votar: 60,54% dos portugueses ficaram em casa no domingo.
Em relação à governação do país, Paulo Portas já veio dizer que o CDS não está disponível para coligar com o PS, no entanto disse que o partido está aberto a entendimentos pontuais que vão ao encontro dos seus objectivos políticos. José Sócrates não descartou a hipótese de tentar acordos com outras forças políticas, no entanto frisou que, antes de mais nada, deverá reunir com todos os partidos com acento parlamentar. Espera-se no entanto que o primeiro-ministro procure chegar a entendimentos mais à esquerda, apesar da relação difícil com Francisco Louçã. As perspectivas de coligações são remotas, e várias vozes já se levantaram para questionar a possibilidade de um governo minoritário conseguir governar Portugal durante quatro anos na situação de crise actual. No entanto, a expectativa recai agora sobre as conclusões que sairão das reuniões entre os líderes partidários e sobre a constituição do futuro Governo.
Equilíbrio entre PS e PSD marca resultados no Faial
Foram apenas 13 votos os que deram a vitória ao PSD sobre o PS na ilha do Faial, nas eleições legislativas do passado domingo, que ficaram marcadas pelo nível de abstenção, que chegou aos 50%, anda assim inferior a 2005, quando 53,8% dos faialenses decidiram não ir votar.
Em relação às últimas legislativas, o PS caiu cerca de 8%, enquanto o PSD assistiu a uma ligeira subida, de menos de um ponto percentual. Também a CDU praticamente manteve a sua votação, verificando-se, sim, subidas consideráveis do CDS e do BE. Os bloquistas foram o terceiro partido mais votado no Faial, conseguindo mais do dobro dos votos de 2005, seguidos dos populares.
Apesar da vitória na ilha, o PSD apenas venceu em quatro freguesias faialenses: Salão, Cedros, Praia do Norte e Matriz.
A nível regional, a vitória foi socialista, com 39,7% dos votos, apesar do partido ter perdido cerca de 10.800 votos nos Açores. O PSD ficou três pontos percentuais abaixo, tendo aumentado a sua votação em relação a 2005. CDU, CDS e BE também cresceram em relação a 2005, tendo esse crescimento sido mais visível no caso dos populares, que cegaram aos dois dígitos, reflectindo a tendência regional.
Nos números da abstenção, esta foi ligeiramente menor que há quatro anos, tendo-se fixado nos 43,9%.
Feitas as contas aos mandatos, PSD elegeu sem surpresas Mota Amaral e Joaquim Ponte, e o PS Ricardo Rodrigues e Luís Fagundes Duarte, como se esperava. Os quatro deputados já eram, de resto, os representantes dos Açores na legislatura que terminou. A expectativa estava entre a eleição do quinto representante açoriano, que representava um duelo entre as faialenses Luísa Santos, pelo PS, e Lídia Bulcão, pelo PSD, sendo que a vitória regional dos socialistas levou à eleição da primeira.
Vitória é “motivação acrescida” para o PSD
Luís Garcia, presidente da Comissão Política do PSD/Faial mostrou-se satisfeito com a vitória do PSD na ilha nestas legislativas, a duas semanas das autárquicas, no entanto frisa que “são actos eleitorais diferentes, e as pessoas cada vez mais sabem fazer a distinção”.
O líder dos social-democratas faialenses lembra ainda que se trata da segunda vitória do partido este ano – recorde-se que o PSD ganhou as eleições europeias de Junho passado no Faial -, o que constitui uma “motivação acrescida” para a corrida à Câmara Municipal da Horta, que será decidida no próximo dia 11 de Outubro, e que o partido encara com um optimismo crescente, em grande parte fundamentado nestes resultados do passado domingo.
Derrota não preocupa PS
O facto do PSD ter vencido no Faial, ainda que por apenas 13 votos, não preocupa os socialistas faialenses. Hélder Silva considera que “cada eleição é uma eleição, e as pessoas sabem para que estão a votar”. O secretário coordenador do PS/Faial mostra-se satisfeito com a vitória de José Sócrates na País e na Região, lembrando que até hoje apenas Cavaco Silva e António Guterres tinham sido reeleitos em Portugal. A descida de votos no PS é, para Hélder Silva, reflexo do desgaste natural sofrido pelo partido e pelo primeiro-ministro.
Em relação às autárquicas, Hélder Silva garante que “o PS está certo de que tem o melhor candidato”, e mostra-se bastante optimista em relação a uma clara vitória de João Castro.
BE lamenta abstenção
Também os bloquistas faialenses se congratularam com os resultados globais do partido, como declara Mário Moniz, que entende que o facto do BE ter dobrado o número de deputados na Assembleia da República é a recompensa pelo trabalho desenvolvido: “é o reflexo do nosso trabalho junto das populações e da justeza da alternativa política que vimos a defender para os Açores, para o País e para a Europa”, refere.
O líder do BE/Faial lamenta os níveis de abstenção, cuja causa entende ser principalmente “o descontentamento e desilusão existentes no seio do Povo Português”. Mário Moniz garante que o partido parte para as autárquicas “com confiança”, acalentado por estes resultados.
CDS-PP satisfeito com crescimento do partido
O CDS-PP afirmou-se nestas eleições como a terceira força política nacional, com um crescimento global, tanto no país como na Região e na ilha. Luís Freitas, representante dos populares no Faial, mostra-se satisfeito com este crescimento. Chamando a atenção para a proximidade a que o CDS teve de eleger um deputado pelo Círculo Eleitoral dos Açores, Luís Freitas entende estes resultados como “um bom indicador”. “Estes números dão-nos força para a campanha”, entende, lembrando que, se a intenção de voto dos faialenses para o dia 11 de Outubro for semelhante ao que sucedeu nas legislativas, o CDS tem claras possibilidades de conseguir representação nos órgãos autárquicos.
CDU espera resultados melhores nas autárquicas
A CDU surgiu nestas eleições legislativas como quinta força política, tanto nos resultados nacionais como no Faial. Luís Bruno, líder dos comunistas faialenses, salienta as “circunstâncias adversas” em que decorreram estas eleições, e por isso se congratula com o aumento de votação dos comunistas a nível nacional. Considera no entanto que “eleições diferentes conduzem a resultados diferentes e no que se refere as eleições para as Autarquias Locais, em que são avaliados candidatos locais conhecidos e programas atentos à realidade do Faial, certamente a CDU obterá um resultado muito positivo, correspondente à sua inserção e apoio no Faial”.
Alexandre Martins de Carvalho, candidato do CDS-PP à Câmara Municipal da Horta
“Nos últimos 20 anos o Faial adormeceu”
Alexandre Martins de Carvalho, independente, tem 52 anos e é advogado, e aceitou ser o rosto do CDS-PP na corrida à Câmara Municipal da Horta.
Natural do Continente, vive no Faial há 20 anos e entende que é capaz de lutar pelo desenvolvimento da ilha, razão pela qual diz ter abraçado este projecto.
Estivemos à conversa com o candidato, que falou dos motivos da sua candidatura, e dos projectos dos populares para o Faial. Martins de Carvalho não hesita em considerar que o Faial “adormeceu” e que é urgente mudar. O candidato defende uma autarquia capaz de apoiar o investimento privado na ilha e com capacidade reivindicativa junto do Governo Regional.
O que é que o motivou a abraçar esta candidatura ao lado do CDS à CMH?
Em tempos pensou-se fazer uma lista independente, sem qualquer tipo de apoio partidário. No entanto, esse grupo de pessoas desinteressou-se, mas o CDS-PP endereçou-me o convite e, uma vez que já tinha concorrido com o partido à Assembleia Legislativa Regional, aceitei. Acho que o CDS tem um projecto interessante, enquadro-me na sua política e partilho de muitas das suas opiniões. É dos poucos partidos com coerência entre o que defende e o que faz e defende quem trabalha. Tanto defende os trabalhadores como os empresários, e neste país quem trabalha e paga impostos é desprezado.
Em relação ao Faial, que propostas quer trazer à discussão pública nesta campanha?
O motor de desenvolvimento de qualquer autarquia é a sua Câmara Municipal. Nos últimos 20 anos o Faial adormeceu; regrediu. Não há investimento privado, e o que há é da responsabilidade de empresas do exterior, como é o caso do Modelo, por exemplo. Os dividendos desses investimentos não ficam cá, não são investidos na nossa terra. Assim, não se criam mais postos de trabalho nem mais riqueza. A Horta, ao contrário de muitas localidades que vão evoluindo de aldeias para vilas e de vilas para cidades, está a regredir de cidade para vila.
E como acha que a autarquia pode incentivar os empresários locais a investir?
Uma das possibilidades é a recuperação do parque habitacional da Horta. Há programas comunitários ao dispor de qualquer cidade. Lisboa, por exemplo, vai recuperar a sua zona ribeirinha ao abrigo de um programa chamado Pólis. É importante também para a Horta recuperar o seu parque habitacional, jardinar os seus espaços verdes, recuperar zonas degradadas… Há programas específicos para a reabilitação urbana a que as câmaras se podem candidatar, e a Horta não os aproveita. Estas pequenas obras beneficiam a autarquia e as pessoas. Necessitam de muita mão-de-obra, o que representa uma oportunidade para os construtores locais, e a autarquia deve pensar sempre primeiro no empresário local, no empreiteiro local; na gente da terra, porque dessa forma criamos emprego, riqueza e bem-estar. Não nos devemos esquecer dos elevados níveis de desemprego da Região.
Defendo também um turismo de silêncio; do bem-estar, que se aplicaria muito bem ao Faial. Temos condições ambientais óptimas, não temos problemas de poluição sonora… Com este tipo de turismo as pessoas que precisam de sossego para reflectir, para preparar teses de doutoramento, para preparar os seus livros, podem vir aqui e aproveitar o facto do Faial ser um local privilegiado para isso.
Gostaria também de falar do parque de estacionamento recentemente criado na Avenida. A Câmara Municipal, com os meios de que dispõe, não foi capaz de ser ela própria a fazer aquela simples marcação de lugares de estacionamento, que foi feita por uma empresa privada. Mas o que importa aqui é que estamos a falar do centro da cidade, por onde passa a maioria dos turistas, onde não se justifica que encontrem um parque daquela natureza. Se tivermos a possibilidade de vencer, no dia seguinte não estaciona ali mais carro nenhum. Aquela zona deve ser requalificada para voltar a ser um jardim, onde as pessoas possam passear, as crianças possam brincar…
Mas o que é certo é que a Horta tem sérios problemas de estacionamento…
Não tem. O que há é falta de organização.
Uma das coisas que pode melhorar a situação é a existência de parquímetros, que já tivemos mas não deu resultado, o que não pode ser, pois este é um sistema que existe em qualquer lugar do mundo, por isso também tem de resultar aqui. Penso que houve desleixo na sua manutenção.
Além disso, há a possibilidade de se adquirirem terrenos próximos do centro da cidade parar criar estacionamento.
Estamos numa fase de mudança no Faial. Quais os investimentos que considera prioritários?
Não nos podemos esquecer de que a obra do Porto não é da Câmara Municipal, mas sim do Governo, apesar de algumas pessoas quererem confundir os eleitores. A obra do Porto vai ser muito relevante, mas não é camarária. No que diz respeito à Câmara Municipal, a obra mais urgente será o Saneamento Básico, que já devia ter sido feito há 15 anos. No entanto alguém do PS entendia que não valia a pena ser executada esta obra, pois como era subterrânea não dava votos. Como tal, nunca avançou. Na altura era possível obter financiamento para 80% da obra, mas neste momento a autarquia tem de arcar com a totalidade dos encargos, e que quem vai pagar é os munícipes, ou seja, perdeu-se uma boa oportunidade.
Além disso, a partir do momento em que o Saneamento Básico esteja a funcionar, mesmo as pessoas que têm as suas fossas e não utilizam o serviço terão de pagar as taxas a ele inerentes.
Entende que só quem esteja ligado ao Saneamento Básico deve pagar a taxa?
Sim, mas em outras localidades o que tem acontecido é que todos têm sido obrigados a pagar, e é isso que vai acontecer aqui.
Apesar de algumas obras estruturantes para o Faial serem da responsabilidade do Governo Regional e não da autarquia, não considera que esta deve ter um papel activo no seu desenvolvimento, impulsionando a sua concretização da forma possível?
O motor de desenvolvimento da localidade é a própria Câmara Municipal. O PS já está há muitos anos no Governo e também na Câmara da Horta. Esta não pode desculpar-se por não ter obtido o desenvolvimento pretendido por o Governo ser de outra cor política, porque isso não aconteceu. Além disso o presidente da Câmara deve ser mais reivindicativo quando se trata de lutar por obras importantes para a ilha.
Considera então que, quanto a questões como a ampliação da pista do Aeroporto ou a construção do Estádio Mário Lino, a autarquia devia ter sido mais reivindicativa junto do Governo Regional?
Evidentemente que sim, não só a autarquia mas também outras organizações que defendam os interesses do Faial, como a Câmara do Comércio, por exemplo, e toda a população.
Carlos César disse mais do uma vez que se a ANA não fizesse a ampliação da pista o Governo Regional a faria, por isso o Faial deveria ter sido mais reivindicativo neste ponto. A ilha tem, aliás, vindo a perder a sua capacidade reivindicativa no contexto regional.
Se olharmos para Ponta Delgada há 20 anos, era uma cidade menos desenvolvida que a Horta. Hoje passa-se o contrário.
Como vai ser a campanha do CDS-PP?
A nossa campanha é um pouco diferente da dos outros, pois não temos a estrutura que têm o PS, o PSD ou a CDU. Vamos fazer campanha porta a porta, percorrendo as freguesias, e tentar convencer as pessoas de que é necessário mudar a Câmara Municipal; é necessário termos gente que defenda os faialenses e traga mais confiança à Horta. As pessoas não podem estar impávidas, sem se preocuparem com o futuro desta terra.
Está preocupado com a abstenção?
Estou. Penso que as pessoas não devem perder a oportunidade de votar pois, se não o fizerem, estão a aceitar a actual situação que vivemos e que é muito preocupante. As pessoas não se apercebem dos graves problemas da ilha: por exemplo, o Faial tem uma dívida à banca infernal.
Temos de lutar todos juntos para que o Faial melhore e quem não for votar está a acomodar-se. Temos de arregaçar as mangas, ir à luta, trabalhar, investir e ajudar-nos uns aos outros para vencermos.
Todas as pessoas devem votar em quem bem entendem. Se acharem por bem o CDS-PP, melhor, porque tenho a certeza que saberei defendê-los de alma e coração, garanto que não cruzo os braços na defesa dos interesses da nossa terra.
É preciso também que as pessoas não tenham medo de reivindicar, nem de se esporem ao lado de um partido que não é o que governa. Muitos não o fazem com medo de serem castigados ou marginalizados, o que eu considero que, de facto, acontece no Faial.
Quais as expectativas do CDS-PP no Faial?
Estas eleições são das mais interessantes dos últimos anos no Faial. Todos os partidos apresentam bons candidatos, e os faialenses devem escolher os que entendem ser mais capazes. No caso do José Decq Mota e do João Castro, já vimos aquilo que foram no passado, e não me parece que vão agora fazer uma política diferente para o futuro. Isto merece uma profunda reflexão. Os outros candidatos, penso que na sua vida privada deram provas suficientes do que são capazes. Penso que poderão trazer outro desenvolvimento ao Faial.
O CDS tem subido de eleição a eleição em todo o país, e pensamos que seria bom para os faialenses sermos eleitos em primeiro lugar. Vai ser difícil, mas não tenho dúvidas de que seria bom para o Faial termos pelo menos um vereador e um ou dois deputados municipais. Sabemos que as possibilidades são difíceis, porque muita gente ainda vota na cor partidária e não na pessoa. Penso que posso dar muito por esta terra, de que gosto muito, e tenho disponibilidade para me dedicar a ela. Gostaria que estivesse mais desenvolvida e criasse mais riqueza.
Na passada terça-feira arrancou oficialmente a campanha para as eleições autárquicas, e os comunistas escolheram precisamente o primeiro dia de campanha para o jantar de apresentação das suas listas no Faial.Mais de cem militantes e simpatizantes reuniram-se no restaurante Ocidental, para ouvir um José Decq Mota cáustico e inflamado, que não poupou críticas à oposição. Para o candidato, a CDU vai a votos “em pé de igualdade” com PS e PSD, e alertou para a importância da votação essencial continuar a ser dividida por três partidos e não apenas por dois. Apontando baterias aos social-democratas, considera que a candidatura liderada por Paulo Oliveira representa uma “aliança” entre o PSD e antigos dirigente da Câmara do Comércio e Indústria da Horta que, na sua óptica, se serviram dessa condição para fazer oposição à maioria plural formada por PS e CDU na Câmara Municipal. Decq Mota utilizou o termo “terrorismo político” para se referir a essa oposição, curiosamente o mesmo termo utilizado por João Castro numa entrevista recente ao jornal Incentivo. O comunista acusou ainda a candidatura do PSD de ter uma “visão restrita da sociedade”, centrada em “interesses de classe”. Quanto a resultados eleitorais, Decq Mota destacou a confiança na “qualidade” da sua equipa, e está optimista de que “a CDU não vai descer, como alguns andam a anunciar”, alertando o eleitorado de que dar a maioria ao PS ou ao PSD representa um “retrocesso político”.
“Cumprimos na defesa intransigente dos interesses do Faial” Antes da intervenção de Decq Mota, coube a Luís Bruno, primeiro candidato à Assembleia Municipal, fazer o balanço da participação comunista naquele órgão nos últimos quatro anos. Salientando alguns dos momentos em que a CDU teve um papel mais importante na AM, Luís Bruno lembrou que o Saneamento Básico foi “aprovado apenas graças à maioria plural”. Luís Bruno congratulou-se ainda com a instituição da Derrama, que entende ter sido “positiva como fonte de rendimentos do município”. O candidato aproveitou para salientar o que entende ser uma “profunda renovação” nas listas comunistas, com mais jovens e mais mulheres, e destacou a saudável colaboração entre o PCP e os Verdes, com candidatos deste último partido em posições elegíveis, como é o caso de Petra Besugo, que corre em terceiro lugar à AM.
CDU quer justiça social e equilíbrio na política da autarquia Foi na véspera do início da campanha que a CDU apresentou o Programa Municipal, sob o lema “novos rumos para o Faial”. Na ocasião, José Decq Mota recordou a vitória de 2005, quando os faialenses retiraram a maioria absoluta ao PS e concederam dois vereadores à CDU, assim como quatro lugares na Assembleia Municipal. O candidato aproveitou para considerar que o acordo pós-eleitoral com o PS foi “extremamente útil para o Faial”, apesar das críticas. Decq Mota explicou que se apresenta como primeiro candidato à CMH e não como candidato à presidência não por não se sentir capaz de ser presidente da autarquia mas porque quer deixar claro que, caso não vença as eleições, exercerá quaisquer funções para que seja eleito. “Eu não desapareço”, disse, acrescentando que a sua forma de estar na política não procura “posições ou mordomias”, e frisando a experiência de que já dispõe no que diz respeito aos problemas do concelho. Quanto ao programa, a CDU defende mais desenvolvimento no Faial, num contexto de cooperação no Triângulo e no todo regional, bem como uma autarquia mais dialogante. Lembrando que um “desenvolvimento autêntico” passa pelo equilíbrio e pela justiça social, Decq Mota remeteu para o trabalho desenvolvido na autarquia nesse âmbito, pela vereadora comunista Maria do Céu Brito. Esta quis lembrar a sua acção na área da cultura, frisando a necessidade de continuar a “investir nas produções locais”. Das propostas comunistas, Decq Mota destacou a urgência em avançar com o Saneamento Básico e com a construção da nova rede de distribuição de água da cidade, bem como com a Célula de Aterro Sanitário da Fajã e o Pavilhão Desportivo Coberto dos Cedros. Além disso, considera vital acelerar a recuperação da rede viária municipal e melhorar a relação município/munícipe. No documento, os comunistas abordam a Derrama, cuja manutenção defendem, apesar de assumirem a possibilidade de baixar a taxa de incidência. Os comunistas querem mais atenção às freguesias, que passa pelo melhoramento dos transportes colectivos e da rede viária rural. Apostam na continuidade da delegação de competências e defendem que a Câmara deve também reunir nas localidades rurais. A CDU quer assegurar uma intervenção na Avenida 25 de Abril já no próximo mandato. Diminuir o estacionamento naquele local, desviar o trânsito pesado para a variante e incentivar a criação de quiosques e esplanadas são algumas das medidas propostas. Defendem ainda a criação de dois parques de estacionamento pagos e parquímetros na zona histórica da cidade. Continuar a política de habitação social e a custos controlados é outro objectivo, bem como a recuperação do património. Na área social, destaque para o alargamento do projecto Comunidade Viva à Conceição e a Castelo Branco, enquanto no desporto, entre outras medidas, os comunistas defendem a adequação dos campos sintéticos de futebol às medidas exigidas para competições nacionais. A reactivação das Termas do Varadouro, a ampliação da pista do Aeroporto e a manutenção da Estação da Rádio Naval são reivindicações que se propõem fazer junto do Governo Regional. A CDU condena ainda o funcionamento das empresas municipais, com destaque para a Hortaludus, que entendem dever ser transformada em três Entidades Empresariais Municipais, para uma gestão distinta do Teatro Faialense, das Piscinas e do Parque de Campismo, e do Centro Hípico.
O Grupo de Teatro ChamaRir, de Pedro Miguel, está a apresentar a sua mais recente peça, Quem tudo quer... tudo serve. Uma comédia hilariante, protagonizada por José Alberto Nunes, Isabel Andrade, Natália Nunes, Fernando Ferreira, Alvarino Nunes e Sofia Nunes, e escrita e encenada por Rui Silva e Ludgero Pinheiro.