sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Câmara e Assembleia Municipal tomaram posse na tarde de ontem

Renato Leal renuncia ao cargo de deputado municipal

Na tarde de ontem o Salão Nobre do edifício dos Paços do Concelho encheu-se para a cerimónia de tomada de posse da nova constituição da Câmara Municipal da Horta, bem como da Assembleia Municipal.
Sem surpresas, Jorge Costa Pereira foi eleito presidente da Mesa da Assembleia Municipal. Renato Leal, cabeça-de-lista socialista ao mesmo órgão, renunciou ao cargo de deputado municipal, não tendo marcado presença na cerimónia.

Após a leitura da acta de instalação da Câmara Municipal, João Castro, José Leonardo Silva e Rui Santos, pelo PS, e Paulo Oliveira, Fernando Guerra e Rosa Dart, pelo PSD, assinaram o documento. A vereadora socialista Alzira Silva não estava presente na cerimónia.
Na Assembleia Municipal, todos os deputados eleitos ocuparam os seus lugares, à excepção de Renato Leal, primeiro candidato da lista socialista, que renunciou ao cargo. Esta renúncia permitiu que Bruno Frias Leonardo subisse, passando a integrar a bancada rosa na Assembleia Municipal.
Jorge Gonçalves, na qualidade de presidente cessante da Assembleia Municipal, presidiu ainda à cerimónia de tomada de posse. As palavras finais do líder da AM nos últimos três mandatos foram no sentido de expressar a “honra” que sentiu ao dar posse ao novo elenco autárquico no Faial. Jorge Gonçalves deixou ainda uma mensagem à maioria socialista na Câmara Municipal, apelando a uma abertura ao diálogo, bem como aos novos deputados municipais, incitando-os a colocar a importância do Faial acima dos interesses partidários.
João Castro, reeleito nos comandos da Câmara Municipal, desta feita dispondo de maioria absoluta, congratulou-se pelo trabalho desempenhado no anterior mandato, agradecendo o apoio de todos quanto nele participaram. Para o socialista, a reconstrução e a entrada de um novo quadro comunitário foram algumas referências dos últimos quatro anos, que constituíram um ciclo que agora chega ao fim, para se dar início a outro. Neste novo ciclo, o autarca referiu os vários desafios que se colocam, e prometeu um mandato centrado nas pessoas.
Analisando os resultados eleitorais, João Castro frisou que “em democracia as pessoas nunca se enganam”. “Os faialenses sempre souberam o que queriam para o Concelho”, acrescentou, salientando por um lado a forte participação eleitoral que caracterizou o sufrágio do dia 11 de Outubro, e por outro o que considerou ter sido uma intenção dos faialenses em marcar uma diferenciação na Assembleia Municipal e na Câmara, preferindo a lista laranja para a primeira e a lista socialista para a segunda. Dizendo que “chegou a hora do trabalho”, João Castro mostrou-se disponível ao diálogo e à colaboração em função dos interesses dos faialenses.
O presidente da Câmara Municipal anunciou a primeira reunião do órgão para a próxima quarta-feira.


Jorge Costa Pereira é o novo presidente da Assembleia Municipal

De seguida deu-se a primeira reunião da Assembleia Municipal, que serviu para eleger o presidente da mesa, bem como os secretários. A grande maioria dos deputados decidiu ouvir a vontade popular expressa nas eleições, tendo sido apresentada uma lista subscrita pelas três forças políticas representadas na AM, que indicava para presidente o social-democrata Jorge Costa Pereira, para primeiro-secretário o socialista Guilherme Sousa e para segundo-secretário a social-democrata Cristina Rosa.
A lista foi sufragada mediante votação secreta, tendo sido aprovada com 29 votos a favor, três brancos e uma abstenção.

Após a votação o novo líder da Assembleia Municipal usou da palavra para lembrar que o trabalho daquele órgão deliberativo ao longo dos próximos quatro anos deverá, acima de tudo, fazer-se para bem dos faialenses. “São os faialenses aquilo que nos une”, frisou.
De seguida, Manuel Goulart, pelo PS, interveio para subscrever as palavras do presidente da AM. Do lado dos social-democratas, coube a Laurénio Tavares fazer a primeira intervenção neste novo mandato, enquanto que pelos comunistas foi Mário Frayão a intervir, numa sessão que ficou marcada também pela ausência de Luís Bruno.


FOTO: SUSANA GARCIA

Exames Nacionais

Escola Secundária Manuel de Arriaga entre as melhores da Região


Foram vários os jornais de expansão nacional que elaboraram rankings das Escolas Secundárias do país, de acordo com os resultados obtidos pelos alunos nos Exames Nacionais do ano lectivo passado, consoante vários critérios.

Nos rankings publicados pelos jornais Correio da Manhã, Expresso, Diário de Notícias, Público, Jornal I e Jornal de Notícias, a Secundária Faialense situou-se sempre entre a terceira e a quinta posição de entre as 20 Escolas açorianas. Em relação ao todo nacional, a Manuel de Arriaga situa-se entre as 300 melhores das mais de 600 escolas de ensino secundário do país.

No ranking do Correio da Manhã, que contabilizou todas as provas efectuadas, a ESMA aparece em quarto lugar na Região, e em 227.º no todo regional, com uma média de 10,61.

O ranking onde a escola faialense aparece em melhor posição ma Região – o 3.º lugar – é o do Expresso, que contabilizou as 12 disciplinas nas 504 escolas públicas que realizaram mais de 100 provas no conjunto dessas mesmas disciplinas. Já a nível nacional, é num dos rankings do Público que a ESMA aparece melhor cotada, na 195.ª posição. Neste ranking foram contabilizadas oito disciplinas, nas 485 escolas públicas que realizaram mais de 50 provas no conjunto dessas mesmas disciplinas.

No ranking do Correio da Manhã, que contabiliza todas as provas, o primeiro lugar foi para o Colégio Nossa Senhora do Rosário, no Porto. As escolas privadas continuam, de resto, a obter os melhores resultados nos rankings. A primeira escola açoriana a aparecer na lista do diário lisboeta é a Secundária Antero de Quental, em Ponta Delgada, que surge na 156.ª posição. Em segundo lugar aparece a Escola Básica e Secundária das Velas de São Jorge, no 164.º lugar do ranking nacional e em terceiro a Secundária Domingos Rebelo, também em Ponta Delgada, na 222.ª posição.

Aniversário

Maria de Jesus Alves comemora cem anos rodeada pela família

Fomos encontrar Maria de Jesus Alves sentada na sala do filho mais novo, entregue à leitura, um dos seus hábitos mais assíduos, e com um ar tão jovial que as repórteres hesitaram entre felicitá-la pela celebração dos cem anos de vida, ou pedir-lhe com delicadeza que fosse chamar a mãe, pois com certeza não seria ela, a quem dificilmente daríamos 80 anos de idade, a senhora centenária que seria objecto da nossa reportagem.
Magra e pequena, com o rosto vincado pela passagem dos anos, os olhos brilhantes, atrás dos óculos que lhe auxiliam a leitura, poderiam perfeitamente pertencer a uma jovem de 20 anos, e dificilmente se acreditaria que a sua dona nasceu em 1909, na freguesia de Ruivães, em Vieira do Minho.

Quando lhe demos os parabéns pelos cem anos, comemorados no passado dia 19, os seus olhos brilharam ainda mais, ao recordar a festa que juntou amigos e familiares, alguns vindos expressamente do continente ou até do estrangeiro: “Fiquei muito satisfeita pela festa que me fizeram. Não contava com isto, mas foi uma alegria estar com a família e pessoas amigas. Gostei muito”, confessou-nos, dona de uma lucidez invejável. Incapaz de conter as emoções ao lembrar o dia do seu aniversário, Maria de Jesus faz questão de agradecer a todos os que dela se lembraram: “nunca pensei ter pessoas tão amigas”, diz.

As voltas da vida trouxeram Maria de Jesus e o marido para o Faial há cerca de 20 anos. Os dois filhos, Fernando e Manuel, vieram para os Açores trabalhar, casaram e acabaram por ficar por cá.
Hoje, Maria de Jesus divide os seus dias entre as casas de ambos os filhos, e sente-se feliz rodeada pela sua descendência: tem nove netos e quatro bisnetos, o mais velho dos quais com 17 anos.
Ainda se recorda das viagens de avião entre o continente e o Faial, que a traziam de férias à ilha azul, antes de aqui se fixar definitivamente. “O meu marido tinha medo de andar de avião, mas eu não; até gostava. De todos os meios de transporte que já andei o meu preferido é o avião”, conta-nos.
Já não vai a Ruivães há oito anos, principalmente porque, com o passar dos anos, as ligações à terra vão-se perdendo, com o desaparecimento dos entes queridos que lá deixou, como as duas irmãs, ambas já falecidas.

Quando lhe pedimos para nos contar um pouco da sua vida, a resposta é pronta: “Ah meninas, a minha vida, se fosse a contá-la, era um romance!”. Casou aos 25 anos, com um jornaleiro dos serviços florestais, onde ela própria começou a trabalhar, e se manteve por 26 anos. Desses tempos, recorda a dureza do trabalho: “fazia todo o serviço, era uma escravidão. Naquela altura a vida era mais difícil”, lembra. No entanto, recorda com saudade o trabalho na terra, que continuou a fazer quando veio para os Açores: “tinha uma horta que era um encanto”, conta, cheia de orgulho. Também fazia crochet e orgulha-se de ter sido uma boa doceira. “Íamos às festas vender os doces. Amassávamos o centeio e fazíamos corações, cãezinhos, correntes… As crianças adoravam. Éramos pobres, e lembro-me de a minha mãe nos dizer: ‘Oh minhas filhas, trabalhamos para não ter fome’”, recorda.

O seu século de vida permite-lhe dizer que viu o mundo mudar. Momentos do quotidiano que parecem retirados de contos de fadas de tempos remotos, como o correio a chegar em carroças ou a necessidade de se servir da luz da candeia, para Maria de Jesus estão ainda bem presentes na memória.

Apesar da intensidade e da dureza do trabalho, Maria de Jesus não hesita em dizer que é de poder trabalhar que sente mais saudades. É que, embora seja dona e senhora de uma aparência e lucidez invejáveis, as pernas e os braços teimam em lembrá-la de que já tem cem anos, e chegou a altura de descansar de uma vida de trabalho. “Até parece mal dizer, mas a minha vida é quase comer e dormir”, conta, em jeito de brincadeira. Para passar o tempo, gosta de ler, hábito que cultiva há muitos anos, mesmo quando a vida era tão madrasta que as horas de trabalho pareciam durar mais que as do próprio dia: “sempre tive um bocadinho de vagar para ler e para orar”, conta. “Quando trabalhava não havia tanto vagar, fazia a minha oração mais levezinha”, confessa. Hoje tem mais tempo, que não gosta de desperdiçar com revistas nem com a televisão. Os livros de religião são os seus preferidos, e Maria de Jesus mostra-se uma religiosa convicta, atribuindo a Deus grande parte do mérito nas cem velas no seu bolo de aniversário. Continua a ir à missa, apesar de necessitar do apoio dos filhos e netos.

Apesar de já não poder trabalhar a terra como queria, Maria de Jesus continua a fazer algumas coisas. Foi ela quem plantou os manjericos no São João, e uma das netas trouxe-lhe do Pico uma planta para cuidar.
Outro dos hábitos que ganhou ao longo dos anos, para além da leitura, foi o de descansar um par de horas após o almoço. No entanto, dispensou de bom grado a sesta para uns dedos de conversa animada com as repórteres, que tentaram descobrir o segredo desta jovial longevidade de que Maria de Jesus parece ser portadora. “Usa algum creme especial?”, perguntámos, incapazes de conter a típica curiosidade feminina. E a nossa interlocutora, sempre bem-disposta, não hesita em partilhar connosco a marca a que se manteve fiel durante toda a sua vida. O “segredo” permanece só para nós, mas descobrimos que Maria de Jesus não se isenta da dose de vaidade necessária a qualquer mulher: arranjar o cabelo todos os meses e colocar algumas jóias todos os dias é algo que não dispensa. Olhando para Paula, a neta que se juntou a nós durante a conversa, diz com orgulho: “quando era nova era tal igual à Paula”.
Quanto à alimentação, Maria de Jesus diz gostar de praticamente tudo, à excepção de carne de vaca. A tensão arterial está sempre alta, queixa-se, e não há comprimidos que a façam descer. Palavra puxa palavra, ficámos a saber outro dos seus segredos: “há hora da refeição bebo sempre meio copinho de vinho”, confessa. Fernando, o filho mais velho, confirma, e acrescenta que um bom tinto maduro é o vinho que merece a eleição da mãe.

Depois de toda a conversa, ficámos a conhecer aquele que é, para Maria de Jesus, o verdadeiro segredo da sua longevidade, que é, afinal, bem simples: a família reunida à sua volta. “O amor da família é que me faz viver. Se uma pessoa não se sente estimada não tem gosto de viver, e é este convívio que eu acho muito importante”, confessa.

No final, acompanhou-nos à porta e agradeceu a nossa visita. Quanto a nós, agradecemos as histórias e fizemos-lhe um pedido: que, para o ano, possamos partilhar mais um pouco do que Maria de Jesus tem para contar, com o pretexto da comemoração dos seus 101 anos. Com a vivacidade com que nos recebeu e a lucidez com que connosco conversou, será, com certeza, um pedido fácil de aceder.

FOTO: SUSANA GARCIA

Música

Coral de Santa Catarina pretende ser projecto de futuro


Criado em 2002 em Castelo Branco, o Grupo Coral de Santa Catarina tem solidificado a sua existência e crescido no universo musical faialense. Com os olhos postos no futuro, o Grupo tem vários projectos que já começou a pôr em prática, como uma Orquestra e um Coro Juvenil. Com o mês da música a chegar ao fim, fomos conversar com o Padre Marco Luciano Carvalho, responsável pela direcção musical do Coral de Santa Catarina.




O projecto Outubro em Música levou o Coral de Santa Catarina a várias Igrejas do Faial ao longo deste mês. O grupo já actuou nos Cedros e no Capelo, e estará na noite de amanhã, a partir das 20h30, na Igreja da Feteira. O objectivo, como referiu Marco Luciano, é “descentralizar o sítio onde habitualmente se faz este tipo de música”, não limitando a oferta cultural à cidade. Até agora, os resultados têm sido positivos, com o Coral a colher uma “receptividade interessante” junto da população, de acordo com aquele responsável.

Em Junho passado, o Coral deslocou-se à Terceira, participando na Celebração das Ordenações, que decorreu durante as Sanjoaninas. Segundo Marco Luciano, o facto de Angra estar em festa “atraiu muita gente à Igreja da Sé”, e o feedback da actuação do Coral faialense foi bastante positivo, o que “mostrou o trabalho que tem sido desenvolvido bem como o potencial que o Coro tem”, explica.

Actualmente com 55 elementos, o Coral de Santa Catarina tem já um considerável percurso atrás de si, apesar da sua criação remontar apenas a 2002, quando, nas palavras de Marco Luciano, o grupo “começou do zero”: “fizemos todo o trabalho de preparação, e as pessoas não estavam habituadas a este tipo de música, mais erudita. Começámos por programas mais acessíveis. Em 2004 houve a oficialização do Coro como instituição cultural, o que nos permitiu pensar num trabalho mais a sério”, explica.

Actualmente, a aposta está na formação, para aprimorar a qualidade do conjunto vocal, o que requer um trabalho árduo de todos os elementos. O Coro divide-se em quatro naipes: sopranos e contraltos nas vozes femininas e tenores e baixos nas masculinas. Marco explica que foram constituídos monitores para cada naipe, para que estes tenham um ensaio semanal separados do resto do conjunto. A este junta-se todas as semanas um ensaio de conjunto, orientado por Marco Luciano, altura em que os elementos do Coral têm também formação vocal, orientados pela professora Sónia Machado, do Conservatório Regional da Horta. Marco considera precioso o auxílio de Sónia Machado, e vê como muito importante esta vertente formativa, pois “o coro atingiu um patamar em que importa formar as pessoas ao nível da técnica vocal”. No fundo, são três ensaios semanais, o que não é fácil, como confessa Marco, No entanto os elementos do Coral – que são em grande parte bastante jovens – aderem com afinco, e o responsável orgulha-se da assiduidade do grupo.

O acompanhamento do professor Vlodimir é outro auxílio valioso para Marco: “como músico profissional tem uma palavra muito importante, e dá-nos bons conselhos”, explica.


Subir a fasquia e diversificar

Neste momento o Coral de Santa Catarina dispõe também de uma Orquestra com 16 elementos, que já acompanhou inclusive o grupo à Terceira.

Segundo Marco, a orquestra nasce da “necessidade de interpretar certos temas que precisavam de acompanhamento musical, como é o caso da Missa Pro Pace, de Daniele Carnevali”. Nesse sentido a Orquestra foi constituída não só com elementos já pertencentes ao Coral mas também com outros músicos, vindos da Filarmónica Euterpe de Castelo Branco e também da União Faialense e da Nova Artista Flamenguense. Alguns destes músicos estão dispostos a ter uma colaboração permanente com o Coro, de tal forma que a Orquestra do Coral de Santa Catarina se pode assumir como mais uma valência desta instituição. Isto vai ao encontro do objectivo de crescer na qualidade, que Marco entende nortear o grupo.

Outra valência de que o Coral passará a dispor é um Coro Infantil, que será apresentado ao público numa primeira experiência no Concerto de Natal. Neste concerto, o grupo infantil actuará em conjunto com o Coral, mas Marco frisa que o projecto não se destina apenas a esse momento, mas sim a garantir a continuidade. “Queremos que os mais novos se formem desde pequeninos para bem cantar, porque o Coral tem de ter escola, já que se assume como projecto de futuro”, explica. A criação do coro infantil no seio da instituição é, precisamente, “a preparação do futuro, para que depois eles transitem para o coro adulto”, refere. Este coro deverá ter entre 10 e 15 elementos, já que a preocupação é a formação, e a fasquia da qualidade não pára de subir. A este respeito, Marco lembra a velha máxima que diz que quantidade não é sinónimo de qualidade, e o Coral de Santa Catarina deve reger-se pela segunda e não pela primeira, apesar do seu grande número de elementos.

Actualmente o grupo ensaia no Centro Paroquial de Castelo Branco, mas ficou satisfeito como facto da Câmara Municipal e a Junta de Freguesia de Castelo Branco terem expresso intenção de criar uma estrutura que albergue o Coral de Santa Catarina e a Filarmónica da freguesia.

Marco entende que esta intenção mostra que o Coral é “reconhecido a nível ilha, e que as instituições apostam em valorizar cada vez mais este projecto, que se tornou num grande barco”.

Segundo o responsável, a Paróquia de Castelo Branco tem acolhido muito bem o Coral, no entanto este tem vontade de ter casa própria, já que necessita de uma sala de ensaios adequada, e dispõe já de um instrumental considerável, no que diz respeito à Orquestra.

Neste momento, as atenções do Coral de Santa Catarina centram-se na preparação do Concerto de Natal que, segundo Marco, terá acompanhamento de Orquestra Ligeira para as peças a serem executadas, que incluirão temas conhecidos alusivos à quadra natalícia.

A escolha do repertório do Coral de Santa Catarina é sempre feita com a preocupação não só de “fazer crescer” o grupo, mas também de “criar um aspecto novo para reflectir” o trabalho feito. “Procuramos agir de forma diferente nos vários concertos, ora com acompanhamento instrumental, ora com acompanhamento de órgão, ora só executando à capela...”, explica Marco. O objectivo é que o público possa sempre esperar algo novo do Coral.

No Natal o Coral de Santa Catarina será acompanhado pela Orquestra e pelo Coro Infantil, e deverá actuar em pelo menos três freguesias diferentes, mantendo a lógica de descentralizar a música da cidade.

Apesar de neste momento o trabalho estar centrado na quadra natalícia, o Coral tem já planos para a temporada de Verão, e 2010 traz objectivos ambiciosos: “estamos a pensar numa digressão a São Miguel”, revela Marco, afirmando que existem já alguns contactos feitos nesse sentido. Para essa ocasião o Coral espera ser capaz de apresentar não apenas música sacra ou erudita, mas também alguns temas da música popular portuguesa, criando um repertório eclético, aliado às várias valências que o Coral já apresenta, fazendo dele uma instituição musical com um estilo variado, não muito comum no arquipélago. Ser uma alternativa ao que já existe na ilha e na Região é, precisamente, um dos objectivos do Coral. “Não nos importa fazer as mesmas coisas. Temos evoluído, caminhado para repertórios mais exigentes, o que nos permite pensar que temos de estar sempre a antecipar e a levantar a fasquia”, explica Marco, que entende que “seria uma visão muito redutora ter apenas um programa ou um repertório e repeti-lo sempre em todos os eventos”.

Música


Teatro Faialense recebe Festival de Jazz

Este fim-de-semana os sons do jazz sobem ao palco do Teatro Faialense, com a Horta a receber o festival Jazzores.
Hoje, a partir das 21h30, actuam os Mostly other people do the killing, banda americana que se caracteriza pelo estilo divertido. Amanhã, à mesma hora, é a vez dos The James Spaulding Swing Expressions, projecto actual do reputado saxofonista americano James Spaulding. Após as actuações na Horta, o Festival ruma a Santa Maria e depois a Ponta Delgada, para actuar no Teatro Micaelense A presença destes concertos na Região resulta de uma co-produção do Teatro Faialense e da Associação Jazzores.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Autárquicas 2009

Noite Eleitoral dá maioria absoluta ao PS e exclui a CDU dos comandos da autarquia


Faialenses dão voto de confiança a João Castro


A noite eleitoral do passado domingo deu a vitória ao PS no Faial, que reelegeu João Castro como presidente da Câmara Municipal da Horta, desta feita com uma maioria absoluta. Com 45,17% da intenção de voto, os socialistas elegeram quatro vereadores para a autarquia, deixando o segundo partido mais votado – o PSD – a 387 votos de distância. A equipa laranja liderada pelo independente Paulo Oliveira elegeu três vereadores, ficando-se no entanto pelo segundo lugar, aquém dos objectivos a que se propunha. Apesar disso, em relação a 2005 o PSD foi o partido que assistiu a um maior aumento de votos.

Os comunistas sofreram uma pesada derrota, ao perder os dois vereadores que haviam conquistado em 2005. Para a Câmara Municipal, os bloquistas tiveram 123 votos (mais 43 que em 2005) enquanto os populares assistiram a uma descida de 50 votos em relação às últimas eleições, ficando-se pelos 105.

Apesar dos faialenses decidirem dar um voto de confiança a João Castro, no que diz respeito à Assembleia Municipal o socialista Renato Leal não teve a mesma sorte, tendo sido a lista laranja, encabeçada por Jorge Costa Pereira a arrecadar mais votos.

Nas Juntas de Freguesia, tudo na mesma em relação ao anterior mandato, à excepção de Pedro Miguel, onde as intercalares de 2007 tinham dado a vitória ao PS, que agora perdeu a Junta para os social-democratas. Contas feitas, são sete as freguesias com vitórias socialistas, e seis aquelas onde venceu o PSD.

Nos números da abstenção, a população faialense teve uma grande afluência às urnas, com a média de abstencionistas a ficar-se pelos 35%. Pedro Miguel foi a freguesia com mais votantes – cerca de 80% - , tendo as Angústias sido a freguesia mais abstencionista, com apenas 52,4% de votantes.

Feitas as contas ao resultado eleitoral, a Assembleia Municipal ficará composta por 16 deputados social-democratas, 16 deputados socialistas e dois deputados comunistas, isto com os presidentes de Junta já incluídos.

Na Região, a noite foi de César, com o PS a conquistar a liderança na maioria das autarquias. Ponta Delgada foi a grande excepção, onde a líder regional do PSD se mantém firme na liderança, deixando o socialista Paulo Casaca a mais de 8500 votos de distância. Em relação a 2005 o PS apenas perdeu para o PSD a vila do Porto, em Santa Maria. Ao invés, os socialistas conseguiram vitórias surpreendentes em municípios até então pintados de laranja. Foram eles as Lajes do Pico, as Velas de São Jorge, Vila Franco do Campo e Povoação, em São Miguel, e Santa Cruz da Graciosa. O PS manteve Corvo, Santa Cruz das Flores, Praia da Vitória, Ribeira Grande, Lagoa e Angra do Heroísmo, sendo que nesta última autarquia, apesar da vitória, perde a maioria absoluta. Já o PSD manteve, para além de Ponta Delgada, as Lajes das Flores, Madalena e São Roque do Pico, Calheta de São Jorge e o Nordeste.

A nível nacional, o PS vence em número de votos, no entanto o PSD continua a ser o partido com mais Câmaras Municipais.


João Castro

“Os faialenses decidiram premiar a gestão do município nos últimos quatro anos”

João Castro mostrou-se satisfeito com o voto de confiança da população. A maioria absoluta na Câmara Municipal e a conquista de sete Juntas de Freguesia fazem com que o agora reeleito presidente do Município veja o PS como “grande vencedor”. “Foram eleições muito disputadas, que reflectiram a vontade popular. Julgo que conseguimos passar uma mensagem de um percurso, uma equipa e um projecto que as pessoas apreenderam”, refere.

Em relação à Assembleia Municipal, João Castro não entende o resultado como uma derrota pessoal de Renato Leal, mas sim como um reflexo da “intenção das pessoas em diferenciar a votação”. Quanto a Renato Leal, o autarca entende que “já deu muitas provas na nossa terra. O facto de não ter estado no Faial em permanência face às funções que desempenha na Assembleia da República poderá ter influenciado o resultado”, admite. João Castro não vê a actual composição da AM, onde o PS e o PSD terão o mesmo número de deputados, como uma situação a ultrapassar mas sim como “um reflexo da votação popular”. “Se as pessoas acharam que este seria o melhor cenário teremos de saber geri-lo, trabalhar com ele e encontrar as melhores soluções”. O facto de não se vislumbrar um acordo explícito entre as bancadas comunista e socialista também não preocupa o autarca, que considera que “os eleitos se irão pôr ao serviço da comunidade e do Faial, e irão colocar os interesses da nossa ilha acima dos interesses partidários”. “Estou confiante que se conseguirá um entendimento em questões essenciais para o concelho, nomeadamente em questões muito importantes, como é o caso do saneamento básico”, confessa.

Também defensor do sucesso do acordo pós-eleitoral que uniu PS e CDU, João Castro não vê o resultado dos comunistas como um “castigo” em relação a essa posição. Ao invés, entende que a CDU foi “alvo de uma bipolarização do processo eleitoral”. “A partir de determinada altura na comunicação social tentou-se fazer passar a imagem de que haveria essencialmente dois partidos na corrida, e houve um deslocar de eleitorado no sentido do voto útil”, considera.

João Castro não tem dúvidas de que “os faialenses decidiram premiar a gestão do município e o trabalho nos últimos quatro anos”. “Acho que estamos a dar passos firmes e seguros. Uma das sondagens, inclusive, mostrava que os principais problemas levantados pelas pessoas coincidiam com as principais preocupações da autarquia, para as quais estamos a direccionar as nossas energias”, lembra.

Em relação ao número de votantes mobilizado, João Castro entende que se trata de “um sinal de que o poder autárquico sai reforçado e constitui actualmente uma base determinante da participação democrática. Reflecte também a responsabilidade que o poder autárquico tem de contacto directo com as pessoas e resolução dos seus problemas”. “Já tínhamos verificado que havia uma forte vontade de participar, na forma como as pessoas aderiram na formação de listas, e isso viu-se também no acto eleitoral, com uma participação massiva que nos deixa orgulhosos. As pessoas estão disponíveis para participar desde que os problemas lhes digam respeito e entendam a mensagem”, frisa.

João Castro garantiu que José Leonardo, Alzira Silva e Rui Santos irão ocupar os respectivos lugares como vereadores, no entanto escusou-se a adiantar como será feita a distribuição dos pelouros, referindo apenas que irão ser tidas em conta as competências de cada um. Apesar disso, Alzira Silva, que deverá desempenhar as funções a meio tempo uma vez que é actualmente deputada regional, ficará provavelmente com a cultura, enquanto Rui Santos, que se espera que deixe de ser director regional do Desporto no final do mês, irá provavelmente tutelar essa mesma área na autarquia. A José Leonardo caberão provavelmente grande parte das áreas até agora da responsabilidade de Orlando Rosa, a quem sucede na qualidade de vice-presidente do município.


Paulo Oliveira

“Não viro as costas às pessoas que confiam em mim”

Foram 387 os votos que separaram o PSD do PS nas eleições para a Câmara Municipal do passado domingo, e ditaram aquilo que Paulo Oliveira, candidato independente apoiado pelos social-democratas, entendeu como uma derrota pessoal. No entanto, para o PSD nem tudo são espinhos no “mar de rosas” eleitoral, e Oliveira salienta isso mesmo: “o PSD aumentou o número de votos em 1147, ganhou a Assembleia Municipal e mais uma Junta de Freguesia”, refere.

Reflectindo sobre as razões que terão levado a estes resultados, o candidato continua confiante na qualidade do programa e da campanha apresentados: “achamos que continuam válidos os pressupostos que defendemos: a atitude, a requalificação urbana e a valorização do meio rural”. Posto isto, Oliveira identifica os “calcanhares de Aquiles” que terão conduzido a este resultado: “assumo alguma dificuldade na comunicação, designadamente no meio rural, e o desconhecimento do candidato. Acho que foram os dois principais factores que levaram a esta diferença de votos”, entende.

Instado a pronunciar-se sobre se ocupará ou não o cargo de vereador para que foi eleito, Paulo Oliveira é peremptório a afirmar que sim: “não viro as costas às pessoas que confiam em mim”, frisa. Como ele, também Fernando Guerra e Rosa Dart, restantes vereadores eleitos do PSD, irão assumir o cargo. Nesse sentido, Oliveira frisa que “a equipa da candidatura Mais Faial não terminou na noite eleitoral, apesar dos resultados”. “Espero que esta equipa esteja coesa para os próximos quatro anos”, acrescenta.

Oliveira destaca a quantidade de votantes nestas eleições e a mobilização que se criou à volta da sua candidatura como factores que lhe dão ânimo para trabalhar dentro da Câmara Municipal e fora dela. “Não queremos desiludir quem votou em nós, por isso iremos honrar o compromisso assumido. Queremos levar essa atitude para a CMH, na medida do que nos deixarem trabalhar. Não nos podemos esquecer de que o PS tem maioria absoluta, e não tem desculpas para não cumprir o seu programa, porque tem liberdade para o executar”, refere.

Quando questionado sobre a possibilidade de voltar a ser candidato nas próximas autárquicas, Oliveira entende que quatro anos é muito tempo e por isso não faz previsões. “Vamos continuar o nosso trabalho, queremos fazer um mandato sem desiludir ninguém. Não podemos desperdiçar este movimento da candidatura e, agora na oposição, queremos surpreender pela positiva”, diz.


José Decq Mota

“Estou habituado a grandes vitórias e a grandes derrotas”

A CDU terá sido a principal derrotada da noite eleitoral, ao perder mais de 1200 votos em relação a 2005, perdendo os dois vereadores então eleitos. José Decq Mota entende que “é uma derrota estrondosa, tão estrondosa quanto foi a vitória há quatro anos. As pessoas resolveram voltar a apostar na concentração de votos”, refere.

Quando se trata de apontar as causas, Decq Mota entende que as respostas são várias: “uns dirão que é a condenação da acção da CDU na Câmara, outros que se tratou de uma bipolarização”, exemplifica.

O candidato reitera que o último mandato autárquico, em que vigorou a maioria plural formada por PS e CDU, foi “mais equilibrado, produtivo e criativo, e correspondeu melhor aos anseios das pessoas”. Destacando principalmente o trabalho de Maria do Céu Brito, Decq Mota entende que a dinâmica criada com esta forma de governação é impossível de conseguir com uma maioria absoluta, e lamenta que o eleitorado não tenha tido essa percepção.

Decq Mota foi muitas vezes acusado ao longo dos últimos anos de ter perdido a sua postura reivindicativa, em função da colaboração com o PS. O candidato tem noção disso, e acusa o PSD de ter feito bandeira dessa acusação, fazendo “terrorismo político” que prejudicou a CDU. No entanto, Decq Mota afirma que lutou sempre pelas causas que defendia, apenas de uma forma diferente, de acordo com o acordo pós-eleitoral. “A minha luta política sempre se centrou no combate às maiorias absolutas. Quando se faz esse combate e se consegue que uma maioria seja derrotada, como aconteceu em 2005, não se pode depois na governação dizer ‘Eu não participo’. Isto é incoerente”, explica, acrescentando que o que aconteceu foi que “quem valorizou o trabalho feito na autarquia endossou-o à maioria plural, e aqueles que não valorizaram votaram na oposição”. No entanto, não se arrepende do acordo.

Quanto ao candidato independente do PSD, Decq Mota considera que o único contributo que trouxe foi “para o regresso das maiorias absolutas”.

O comunista considera também que o partido foi prejudicado pelas sondagens: “em Portugal não há condições sociais e políticas para que sejam permitidas sondagens em cima das eleições. Acho que a sondagem publicada, da qual duvidei sempre, porque dava algo que não havia, que era empate técnico, prejudicou a CDU”. Para Decq Mota, o facto da sondagem atribuir um vereador à CDU fez com que algum eleitorado que iria votar CDU decidisse ao invés contribuir para o desempate entre PS e PSD.

Dizendo-se “habituado a grandes vitórias e a grandes derrotas” na sua vida política, Decq Mota entende que representa “uma força política pequena, que consegue desbipolarizar em certos momentos, mas é muito difícil manter essa desbipolarização”

Em relação à Assembleia Municipal, Decq Mota duvida da possibilidade de um acordo global entre CDU e PS: “a postura dos deputados municipais da CDU será interventiva e criativa em função das situações, sempre aberta ao diálogo”.

Quanto ao futuro, Decq Mota garante que não vai abandonar a política: “sou membro do Conselho Regional do PCP, estou na Comissão da CDU do Faial, e vou trabalhar, não só ajudando os eleitos e os activistas da CDU mas também trabalhando para a construção do futuro. A CDU apresentou listas com bastantes caras novas, gente etariamente jovem, que são o futuro e é preciso trabalhar para consolidar a participação dessas pessoas. Vou dar o meu contributo para que a CDU não se deixe amarfanhar pelo resultado eleitoral e que seja uma força activa”, frisa. Decq Mota promete também estar atento ao desenvolvimento dos projectos em que a CDU estava envolvida. E deixa um aviso: “Acho que nos Açores, nos próximos quatro anos, as ilhas mais pequenas assistirão a uma tendência para escassear o investimento público regional, porque o PS reforçou a sua posição nos municípios, conquistou a Associação de Municípios, absolutizou o seu poder regional em termos autárquicos, e isso vai-se reflectir na concentração de investimento, que é a linha dominante do PS, e também foi do PSD quando foi Governo Regional. Apelo a que as sociedades se organizem para lutar pelos seus interesses”.