quinta-feira, 26 de março de 2009

Carrocel estreia novo trabalho no Teatro Faialense

Bom humor e... cafeína
Chama-se “4 Contos de Café”, e é a nova comédia do Gupo de Teatro Carrocel. Com Alexandre Macedo, Eugénia Botelho, Mário Serpa, Nuno Fraião, Rui Simões, Suzete Saraiva, Teresa Barradas e Victor Rui Dores, dirigidos pela batuta de Sérgio Luís, que é também autor do texto e responsável pela encenação, “4 Contos de Café” estreia no dia 27 de Março, Dia Mundial do Teatro, a partir das 21h30, no Teatro Faialense. Fomos assistir à ante-estreia.

8 Com 14 anos de existência, o Grupo de Teatro Carrocel já habituou o público faialense a esperar boas gargalhadas. Após uma incursão na Revista e na Comédia Musical, com “Crises Canhoto” em 2005, “Vamos na Fita!” em 2006, “A Ver Vamos” em 2007 e “Dinheiro Puxa Dinheiro” em 2009, em 2009 o Grupo apresenta-nos esta comédia “com muita cafeína”.
A cenografia é também da responsabilidade de Sérgio Luís, enquanto o controlo de som está a cargo de Zeca Sousa, e o controlo de luz e imagem cabe Bruno Carvalho, que também surpreende ao deixar os bastidores para uma participação especial em cena.
Para este projecto o Carrocel contou com o apoio da Hortaludus, da Câmara Municipal da Horta, da Direcção Regional da Cultura e de José Alberto Tavares.
Sérgio Luís escreveu uma peça com dois actos, cada um dos quais com duas cenas. Cada cena é um “conto de café”, fazendo jus ao nome da peça. Assim, ao abrir do pano, o palco do Teatro transforma-se no café do Venâncio. Victor Rui Dores é quem veste a pele do dono do café, e quem tem uma palavra a dizer sobre todos os acontecimentos que perturbam o quotidiano do seu estabelecimento. As contingências do destino (neste caso delineadas pela caneta de Sérgio Luís) fazem com que, às vezes, deixe de ser apenas o dono do café, para assumir funções bem distintas, como guia turístico, ou até, imagine-se, instrutor de condução! Ossos do ofício, dirão.
Venâncio tem como empregado o caricato Margarido, numa interpretação deveras impressionante de Rui Simões, que promete arrancar gargalhadas ao mais carrancudo dos públicos. A estes juntam-se as clientes habituais, que parecem fazer da mesa do café a sua sala de estar, e que tem opinião pronta sobre os acontecimentos que vão surgindo. Chama-se Solange e Lizete, e são interpretadas, respectivamente, por Teresa Barradas e Suzete Saraiva. Como Venâncio e Margarido, também elas tomam parte em todas as peripécias que se desenrolam ao longo da peça.
Os restantes integrantes do elenco, Mário Serpa, Alexandre Macedo, Nuno Fraião e Eugénia Botelho, desdobram-se em múltiplas personagens, a apimentar os deliciosos imbróglios que constituem a peça: executivos aldrabões, turistas holandeses, artistas de circo desgastados, e até polícias e ladrões desfilam pelo palco transformado em café criando uma série de situações hilariantes.
E mais não contamos, porque o melhor é mesmo assistir ao vivo a esta comédia, que promete deixá-lo mais bem disposto à saída do Teatro, e, quem sabe, com vontade de tomar um cafézinho....
FOTOS: Maria José Silva e Susana Garcia
CCIH apresenta ao Conselho de Ilha Estudo Prévio da Ampliação da pista do Aeroporto da Horta

Mudar a orientação da pista é a solução mais indicada

A inércia relativamente à ampliação da pista do Aeroporto da Horta levou a CCIH a tomar a iniciativa de apresentar um estudo prévio sobre o projecto, com duas soluções para o aumento da pista. O estudo já foi apresentado ao Instituto Nacional de Aviação Civil (INAC) e à Associação Nacional de Pilotos. Na passada semana, o Conselho de Ilha do Faial reuniu para tomar conhecimento do estudo. Agora, o passo seguinte é apresentar ao Governo Regional, as possibilidades apresentadas neste documento. A CCIH já solicitou uma audiência com Carlos César, para entregar o estudo prévio.

CCIH com postura pró-activa
Segundo o presidente da CCIH, a instituição decidiu avançar com a apresentação deste estudo prévio em primeiro lugar devido às suas fortes convicções de que “a sustentabilidade económica e social e o desenvolvimento futuro do Faial passam pela Ampliação da pista do Aeroporto da Horta”.
Também o enquadramento geográfico da ilha, com 15 mil habitantes, e numa posição estratégica de proximidade com Pico e São Jorge, perfazendo um total de 40 mil habitantes nas três ilhas, foi uma das razões que Fernando Guerra enumerou para a necessidade latente deste investimento, bem como o potencial turístico da região, reflectido nas ilhas do Triângulo.
A CCIH entende que o Faial deve ser um “contribuidor líquido para o crescimento” da Região, e nesse sentido a Ampliação da pista do Aeroporto permitirá “criar oportunidades de investimento” em sectores como a agro-pecuária (exportação de floricultura), a pesca (exportação de pescado fresco), a construção civil (aumento dos investimentos hoteleiros) e o sector turístico, estagnado na ilha há cinco anos, e a carecer de algo que o impulsione.
Ao impulso que o investimento trará ao sector turístico e ao aumento das possibilidades de exportação, acresce o facto do Aeroporto da Horta poder permitir ao Faial ser um “centro de recepção e distribuição do Triângulo”, com ligação viária rápida ao novo cais de passageiros do Porto da Horta.
O presidente da CCIH lembrou que Ponta Delgada tem 15 destinos internacionais, e a Terceira quatro, e frisou que é a altura certa para preparar a evolução da Horta, para que possa ter também ligação a destinos internacionais.
Foi tendo em conta toda esta realidade conjuntural que a CCIH decidiu dar um “contributo”, com a elaboração deste Estudo Prévio, que pretende apresentar a Carlos César, com o intuito de sensibilizar o Executivo Regional para a necessidade deste investimento.

Estudo Prévio com duas possíveis soluções
As preocupações técnicas tidas em conta na realização do Estudo prendem-se essencialmente com a máxima redução possível das penalizações que a pista actualmente apresenta, de acordo com a Carta de Obstáculos em vigor, a possibilidade de colocação de tecnologia aeronáutica de ponta e o aumento concreto da pista tendo em vista a capacidade de receber aviões de maior porte, nomeadamente os A310, que realizam voos internacionais, e que neste momento não têm condições para aterrar na Horta.
O Estudo procurou atender a estas preocupações, tendo sempre em conta a busca da melhor relação custo/benefício.
Dentro destes parâmetros, são apresentadas duas opções de ampliação: uma em que a pista cresce mantendo a orientação actual, e outra em que esse crescimento seria feito com a reorientação da pista, para 08 - 26. António Pimentel, responsável pelo estudo, explicou-nos as duas opções, justificando a segundo como a mais aconselhável.

Alterar a orientação da pista como opção mais viável
Aumentar a pista em cerca de 500 metros na actual pista 28, mantendo a orientação actual, implicaria que esta crescesse sobre o mar. Para tal, teria de ser realizado um aterro com cerca de 50 metros, sendo 35 m (altimétrica) até ao nível do mar e 15 m (batimetrica) abaixo do nível do mar, para o qual seriam necessários mais de seis milhões de metros cúbicos de rocha, para aterro.
Apesar da concretização da obra nestes moldes resolver o problema da dimensão da pista (o espaço para a aterragem, por exemplo, passa dos actuais 1595 metros para 2000), mantêm-se uma série de outras condicionantes, razão que, segundo António Pimentel, justifica a segunda opção como a mais viável.
A manutenção da orientação da pista faz com que não sejam eliminados os obstáculos referidos na Carta de Obstáculos, como é o caso do Morro de Castelo Branco e do Monte da Guia. Além disso, implica também que os equipamentos de ajuda à navegação aérea (ILS), tenham de ser instalado no mar, a 420 metros da soleira da pista 28, o que implica uma obra de grandes dimensões e custos.
O impacte ambiental deste empreendimento, pela quantidade de rocha necessária para a construção do aterro, seria também bem maior que na segunda solução. Além disso, seguindo este procedimento, o tempo em que o aeroporto estará encerrado será maior, de acordo com a opinião do responsável.
A reorientação da pista, para 08 - 26, permitirá que o aumento se faça inteiramente sobre terreno natural, o que, por si só, oferece mais segurança à obra. Além disso, esta opção permite reduzir significativamente a dimensão do aterro no mar, que passa a necessitar de apenas um milhão e meio de metros cúbicos de rocha. A esta vantagem acresce o facto da reorientação permitir a completa eliminação das penalizações patentes na Carta de Obstáculos, que deixam assim de constar, nos AIPs (publicação de informação aeronáutica) como obstáculos nas áreas de aproximação e descolagem das aeronaves. Com reorientação da pista, será também possível instalar o equipamento de ILS em terra.
Esta reorientação implicaria, para além da óbvia necessidade de expropriação de terrenos (também necessário na primeira solução) a necessidade também de expropriar algumas habitações. Apesar disso, os custos desta opção seriam bem menores que os custos da primeira solução, em muito agravados pelas dimensões do aterro e pelas dificuldades de instalação do ILS.
Nestes moldes, António Pimentel considera ainda que é possível coordenar os trabalhos na pista de modo a que o encerramento do Aeroporto seja por menos tempo do que na primeira hipótese.
Na segunda solução apresentada no Estudo, está prevista a ampliação da placa de estacionamento de aeronaves, na frente da actual aerogare. No entanto, esta solução prevê que, numa segunda fase, com o crescimento do número de voos, seja construída uma nova placa de estacionamento, maior, permitindo que a primeira passe a ser utilizada como parque de aviões. O Estudo prevê ainda a construção de uma nova aerogare, parque de estacionamento para viaturas e novos acessos à aerogare. Esta ficará com capacidade para acolher oito voos por hora (mais quatro que a capacidade actual) e para fazer embarque e desembarque de passageiros pelo sistema de manga. António Pimentel explicou-nos que a preparação do espaço para esta obra, a realizar numa segunda fase, deveria ser feita no momento da primeira intervenção, pois implica uma escavação de grande volume, sendo o material proveniente da escavação utilizado na construção do aterro necessário, reduzindo a circulação de veículos pesados nas estradas.
O Estudo prevê ainda uma terceira fase, que compreende a construção de uma nova acessibilidade, de ligação directa entre o Aeroporto e a Variante à cidade da Horta.

Baixo PCN e inclinação da pista numa só pendente tornam importante intervir na totalidade da pista
A reorientação da pista implicaria trabalhos em toda a sua extensão, com a execução de duas pendentes de drenagem das águas pluviais e a construção de uma caixa de pavimento com um PCN superior a 70.
O PCN é o número de classificação do pavimento, que avalia a capacidade que a pista tem de suportar o peso de um avião. O PCN actual da pista da Horta é 35 . Além disso, esta apresenta uma só pendente de drenagem, o que faz dela uma “pista molhada”, pelo que a primeira solução carecia de uma repavimentação em toda a pista e placa de estacionamento para atingir um PCN que permita a aterragem de aeronaves de maior porte. Na segunda solução estas intervenções são feitas de raiz.
Este facto é, no entender de António Pimentel, mais uma razão que fundamenta a segunda solução como a mais viável, no entanto salienta que ambas são realizáveis e o que interessa é ampliar a pista.
Social-democratas acusam Governo de promover o “concrentracionismo” do desenvolvimento regional

PSD/Faial descontente com planos do Governo para a ilha
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“Mais do mesmo” para o Faial, é como os social-democratas faialense vêm o Plano do Governo Regional para 2009. Numa conferência de imprensa na passada semana, a Comissão Política de Ilha do partido laranja deu a conhecer o seu descontentamento face ao documento, que deverá ser aprovado na Assembleia Regional no final do mês.
Ladeado por Jorge Costa Pereira e Teresa Ribeiro, Luís Garcia tomou a palavra para dizer que este plano “acentua de forma censurável o concentracionismo no desenvolvimento regional”.
O PSD/Faial considera que, tendo em conta o actual cenário de crise, o facto do Plano concentrar o investimento nas ilhas que já estão à frente em termos de desenvolvimento é “despromover as desigualdades numa Região que só terá futuro se trilhar os caminhos da coesão”.
O líder dos social-democratas faialenses frisou que este Plano vai na linha habitual dos governos socialistas, no sentido em que concentra esforços apenas num investimento para o Faial, neste caso o Porto da Horta, enquanto que, relativametne aos outros projectos estruturantes, não vai além de “entreter com estudos e adiamentos”.
Apesar de se congratularem com o investimento no Porto da Horta, os social-democratas chamam a atenção para o facto de continuarem “sem definição, sem projecto e sem calendarização conhecidas a intervenção a realizar na área de pescas, na área comercial, no aumento da marina, na ampliação das instalações do Clube Naval, na Frente de Mar, nem tão pouco no Cais de Cruzeiros”.
O PSD/Faial condena os adiamentos de outras obras estruturantes, de que se destacam a ampliação da pista do Aeroporto e a 2.ª fase da Variante. As estradas interiroes, o Campo de Golfe, o Estádio Mário Lino, as Termas do Varadouro, a reabilitação das Igrejas do Carmo e S. Francisco, a Casa Manuel de Arriaga e o Matadouro da Horta são outros projectos cujo adiamento motiva o descontentamento dos social-democratas.
O principal partido da oposição condena ainda o facto de “no Faial os investimentos estruturantes nunca se realizarem de uma só vez, sem fases, sem atrasos e sem adiamentos”.
O Plano do Governo de César para 2009 contempla quase 55 milhões de euros de investimento no Faial, o que corresponde a cerca de 7,2% do todo regional. A ilha azul é a quarta em dotação, depois de S. Miguel, Terceira e S. Jorge.

sexta-feira, 13 de março de 2009

"Primavera Anticipada"



Com este frio e esta falta de sol, parece-me que vamos ter mas é um Primavera "adiada"...
Nunca mais é Verão!
Mas este fantástico dueto da Laura Pausini e do James Blunt é tão bom que aquece a alma. É o que nos vale.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Matriz assinala Dia da Freguesia
FOTOS: Carlos Pinheiro

8 No passado domingo, dia 8 de Março, assinalou-se mais um Dia da Freguesia da Matriz, na Sociedade Amor da Pátria.
Na ocasião, a autarquia matricense prestou homenagens ao Fayal Sport Club, pela passagem do seu primeiro centenário, e à Sociedade Amor da Pátria, pela comemoração dos seus 150 anos. Foram também homenageados os presidentes daquela Junta de Freguesia que ocuparam o cargo ao longo do século XX.
Também Victor Hugo Forjaz foi agraciado pela freguesia onde nasceu com uma homenagem. Na ocasião o vulcanólogo apresentou ainda aos presentes o seu livro Na Rota dos Vulcões do Faial.
A noite encerrou com um concerto pela Dixie Band, da Sociedade Filarmónica Unânime Praiense.
Este foi o quarto ano em que se assinalou o Dia da Freguesia na Matriz. De recordar que a data escolhida – 8 de Março – se deve ao facto de ser a data de nascimento do Duque D'Ávila e Bolama, um dos mais prestigiados filhos daquela freguesia.

Laurénio Tavares faz balanço e deixa “recados”
O discurso do presidente da Junta de Freguesia da Matriz, Laurénio Tavares, não foi indiferente à proximidade das autárquicas. Fazendo um balanço da actividade da sua autarquia nos últimos quatro anos, Laurénio congratulou-se com a instituição das Comemorações do Dia da Freguesia, e com toda uma série de acções de cariz cultural levadas a cabo, como sejam a organização do espectáculo musical Adeus ao Verão, e o lançamento de três opúsculos e de dois livros, num “esforço de promoção e divulgação do património histórico, sociocultural, natural e edificado da Matriz”. Para além destes, Laurénio falou de alguns dos outros projectos mais marcantes do mandato prestes a terminar, destacando o esforço de aproximação entre a zona baixa e a zona alta da freguesia.
A ocasião serviu para reforçar alguns “recados” que o autarca social-democrata tem vindo a deixar à Câmara Municipal: Laurénio falou em preocupações relacionadas com o Centro Histórico que não quer ver esquecidas: a desertificação, a degradação do património, a não existência de um plano municipal de reordenamento do trânsito e do estacionamento e a necessidade urgente de requalificar a Frente de Mar são questões para as quais a Junta de Freguesia da Matriz quis chamar a atenção.
Laurénio teceu elogios aos Protocolos de Delegação de Competências do Município, mas lembrou que não se tratam de um “favor” às Juntas, antes são a “garantia de uma melhor, mais próxima e mais completa concretização dos investimentos e dos objectivos municipais”.
O autarca congratulou-se com as obras mais importantes feitas na freguesia, e lembrou aquelas cuja necessidade é mais gritante, como o restauro das Igrejas do Carmo e São Francisco, a reabilitação da casa onde nasceu Manuel de Arriaga, a melhoria da sede do Sporting Clube da Horta, a remodelação e modernização do Mercado Municipal, entre outros.
O Saneamento Básico também mereceu a atenção do presidente da Junta da freguesia de centro urbano faialense. Laurénio lamentou o sucessivo adiamento da execução do projecto, e chamou a atenção para a necessidade de uma planificação minuciosa das obras, de forma a “minimizar os problemas” que a execução de uma obra de tais dimensões trará à cidade, principalmente à freguesia da Matriz.
Laurénio lamentou ainda o facto do processo que levaria à atribuição de sede própria à Junta de Freguesia da Matriz, no prédio onde antes funcionava a Biblioteca Pública, não estar a ter o desenvolvimento desejado, apesar do “compromisso” assumido pelo presidente da Câmara Municipal da Horta há cerca de um ano.
Em representação do presidente da Câmara Municipal da Horta esteve o vereador José Decq Mota, que, no seu discurso, felicitou a equipa de Laurénio Tavares pela forma como delineou as comemorações do Dia da Freguesia da Matriz.
Também Decq Mota quis lembrar a importância dos Protocolos de Delegação de Competências, que dão às Juntas de Freguesia a “possibilidade de desempenhar o seu papel com eficácia e utilidade global para a freguesia e para o concelho”. O vereador lembrou ainda as dificuldades que o cenário actual traz ao Poder Local, agravadas pela tendência legislativa de redução dos apoios às autarquias.
Em jeito de resposta a Laurénio Tavares, Decq Mota lembrou as obras “de modernização” em curso na cidade da Horta, destacando o Saneamento Básico, ao qual reconhece um “atraso de muitos anos”, mas adiantou que a adjudicação da obra está para muito breve. O vereador da CDU reconheceu a importância de um plano atento para atenuar os “1200 dias de transtorno” que a execução da obra trará aos faialenses, mas lembrou que, estando concluída, “o que é estrutural estará feito” na cidade da Horta.
A terminar, e remetendo para as homenagens da noite, Decq Mota lembrou que “esta ilha, esta cidade e esta freguesia têm instituições e gente de muito valor”.
Transinsular reforça viabilidade do actual sistema de Transporte Marítimo de Mercadorias

Ilhas mais pequenas vão “pagar factura” se o Sistema de Plataformas Logísticas for implementado
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Um sistema de transporte marítimo de cargas assente na ideia de Plataformas Logísticas não faz sentido numa região com mercado que os Açores apresentam. Quem o diz é João Carvalho, administrador executivo da Transinsular, que esteve na Horta para o encontro anual dos representantes da empresa.
No Verão passado, o administrador já tinha, em declarações à comunicação social, defendido que o actual modelo é o mais indicado, e que a introdução de um sistema onde duas ou três ilhas teriam plataformas logísticas através das quais se faria a redistribuição para os restantes portos traria custos adicionais para as outras ilhas.
Nesta altura, em que a hipótese das plataformas logísticas voltou à baila, João Carvalho mantém e reforça a ideia de que, a ser implementado esse sistema, “os açorianos e a Região vão perder”.
“Um sistema em que há duas ou três portas de entrada, e as cargas são depois redestribuidas para as outras ilhas só funciona bem em casos de grandes mercados; muitos contentores. Não é o caso dos Açores. Estamos a falar em qualquer coisa como 50 mil contentores por ano. Nas Canárias, onde funciona um sistema semelhante ao das Plataformas Logísticas, há uma movimentação anual de 300 mil contentores”, explica.
Tendo em conta o volume do mercado açoriano, os custos de redestribuir a carga para as outras ilhas a partir das plataformas logísticas será, segundo João Carvalho, muito elevado, e a factura será pagam não pelas ilhas onde serão instaladas as plataformas, mas pelas ilhas mais pequenas, a não ser “que o Governo Regional suporte esses custos”, refere João. “Como os governos vivem à custa dos orçamentos, alimentados pelos impostos das empresas e das pessoas, nós todos vamos ter de pagar essa factura”, acrescenta.
Segundo o administrador da Transinsular, esta ideia não é nova: “por nós já passaram muitos Governos regionais com essa ideia, e através de estudos e análises verificaram que realmente esse sistema era mais caro”, explica.
“Qualquer agente económico se tem de adaptar ao sistema que existir. Se o Governo Regional dos Açores avançar com o projecto de Plataformas Logísticas, com certeza que a Transinsular se vai adaptar, e os outros armadores também. Isso não está em causa”, esclarece.
Feira Espaço Mulher com balanço positivo
FOTOS: CARLOS PINHEIRO

8 No passado fim-de-semana o Ginásio da Escola Básica Integrada da Horta acolheu a Feira Espaço Mulher, iniciativa levada a cabo pela Divisão de Acção Social da Horta, e que se integrou nas comemorações do Dia da Mulher levadas a cabo em várias ilhas dos Açores pela Direcção Regional da Igualdade de Oportunidades.
Foram 12 os empresários locais ligados à moda e à estética que aceitaram o desafio, e ao longo dos dois dias deram a conhecer ao público faialense os seus produtos e serviços. Além disso foram promovidos quatro eventos: uma inovadora e original demonstração em palco pelo cabeleireiro Luís Rocha, e desfiles de moda pelas lojas Four Winds, Zimodas e Kósmos.
Cláudia Rocha, responsável pela organização, adiantou à nossa reportagem que o objectivo era realizar “uma feira voltada para a mulher, no sentido de promover a sua auto-estima, através do embelezamento”. “Preocupei-me em fazer com que fosse algo interactivo e houvesse movimento nos stands”, explica.
Lembrar a razão de ser do Dia da Mulher, e algumas faialenses que se destacaram foi também uma das preocupações de Cláudia, que preparou apresentações mostradas durante a Feira. Cláudia lembra a importância desta vertente, até para lembrar a forma como o Faial foi algo “precoce” na constatação do papel social da mulher: “no século passado existiu um jornal na Horta chamado O Feminino, editado por uma mulher; há 100 anos já existia uma equipa de basquetebol feminina no Fayal Sport...”, exemplifica.
No final, a organizadora confessou não esperar tanta afluência de público, principalmente durante os eventos. Ao fazer um balanço bastante positivo da Feira, Cláudia não esquece todos os parceiros que a tornaram possível, destacando alguns em especial: “quero agradecer a toda as pessoas anónimas que me ajudaram, sem nada em troca, bem como à Câmara do Comércio e Indústria da Horta, que foi incansável, e à Escola Básica Integrada, que cedeu as instalações”.
Na abertura do evento, a secretária regional da tutela, Ana Paula Marques, congratulou-se com as comemorações do Dia Internacional da Mulher na região, e aproveitou a efémeride para lembrar que a urgente necessidade de “ultrapassar estereótipos e estigmas de género”. A secretária entende que há que criar medidas para promover “novas oportunidades para a afirmação da mulher” e, apesar do caminho já percorrido nesse sentido, há que continuar a trabalhar na “procura de novos equilíbrios e oportunidades”, designadamente no acesso aos cargos de responsabilidade, na vida pública e ao nível profissional e económico.
Segundo Ana Paula Marques, na Região “é cada vez mais activo e afirmativo” o contributo das mulheres para o desenvolvimento económico e social das ilhas, sendo que, na última década, “duplicou o número de mulheres com actividade profissional”.A governante sublinhou ainda o papel do Executivo “na implementação de políticas e mecanismos de promoção da condição feminina”, ao encorajar “a paridade e a parceria entre homens e mulheres, tanto na esfera profissional como familiar, e a partilha de tarefas e dos papéis na esfera da vida privada e pública”.

Caminho traçado para uma repetição
Com o sucesso da feira, os empresários foram unânimes no desejo de uma repetição. Cláudia Rocha considera que “a ideia está lançada”, pronta para ser agarrada pelas entidades competentes. “A CCIH será a entidade mais certa para agarrar esta ideia e repeti-la”, opina.
Márcia Oliveira, da boutique Kósmos, mostrou-se satisfeita com os objectivos do evento: “a ideia era fazer algo mais dinâmico, de aconselhamento. Foi isso que fizemos no stand; estivemos a aconselhar a cada mulher o traje mais adequado à sua personalidade, ao seu corpo…”, explica. Esta ideia foi também o que moldou as características do desfile da Boutique Kósmos.
Rui Goulart, proprietário da sapataria Esquina, entende que “para o nosso meio uma realização deste género teve todo o sentido. Acho que a população do Faial adere a este tipo de coisas”. O empresário reconhece que a Feira fou benéfica para as empresas do ramos, que puderam expor os seus produtos e serviços, e é apologista da sua repetição.
Também a esteticista Tânia Escobar ficou satisfeita com a fila de pessoas junto ao seu stand, para experimentar massagens de rosto.
Instada a pronunciar-se sobre o cuidado que as mulheres faialenses investem em si próprias, Tânia considera que podia ser bem maior: “as mulheres faialenses podiam cuidar muito melhor de si, principalmente procurarando aconselhamento cosmético”, diz.
Hélia Decq Mota, responsável pela maquilhagem e cabelos das modelos do desfile da Zimodas, também se mostrou feliz por participar no evento: “foi muito interessante, porque pudémos dar conselhos à mulher sobre a moda e toda a sua imagem, e elas merecem”. Falando da csua longa experiência, Hélia considera que “a mulher faialense tem de gostar mais de si”. Na hora de escolher o penteado, revela que as faialenses “são muito conservadoras, embora já haja algumas que gostam de mudar o seu visual”.
Responsável pela primeira passagem de modelos de que há memória no Faial, Elzira Veríssimo, proprietária da Zimodas, é uma referência da moda no nosso meio. Quanto a este evento, considera que “todos deram o seu melhor, e deve ser repetido. Já andei por muitos sítios, já vi muita coisa, e gosto que a minha terra tenha eventos deste género, que nos dão vida”. Quanto ao desfile de Moda Jovem que promoveu, que arrancou sonoros aplausos da vasta plateia, confessou ter dado “imenso gozo”, e deixa a promessa: “volto a fazer muitos mais, desde que tenha o Guido para me ajudar, e que Deus me dê saúde para isso. É destes eventos que o Faial precisa; muitos e muitos mais”.

Situações de Violência Doméstica têm hoje mais visibilidade
Quem o diz é Cláudia Rocha, instada pela nossa reportagem a aproveitar o Dia Internacional da Mulher para falar do cenário social faialense a esse respeito.
“Exclusão e maus tratos sempre existiram, mas agora há mais visibilidade, até porque temos uma rede de apoio a situações problemáticas que antes não existia. A mulher sente-se mais apoiada para ter a iniciativa de procurar ajuda. Temos o centro de atendimento da UMAR que dá apoio jurídico e psicológico, a Casa Abrigo, que é um sítio para onde a mulher pode ir… Temos tentado utilizar os programas do governo para ajudá-las a arranjar emprego. Além disso temos o serviço de amas, que vem colmatar a necessidade que tínhamos, e agora o que será mais preponderante será o problema da habitação. Uma mulher que tem filhos a seu cargo, que recebe o ordenado mínimo, não consegue suportar uma renda de 200, 300 euros. Mas estamos a trabalhar nessa situação, e penso que temos feito um bom trabalho”, explica.
“É bom que se tenham criado respostas para esta problemática, que é transversal a toda a sociedade. A minha maior prática é com pessoas mais desfavorecidas, mas estou convencida que isto também afecta pessoas com mais meios, mas que tem mais dificuldade em denunciar, e procurar ajuda”, conclui.